segunda-feira, 13 de maio de 2019

Coisas Que Eu Não Faço Mais

   

      Como eu acredito que os leitores desse blog (se é que alguém ainda lê blogs) estão cansados de ler sobre design, decoração e reformas e também porque eu não encontro com facilidade temas sobre os EUA (afinal eu já escrevi 350 posts sobre o assunto), resolvi escrever sobre coisas que acho importantes. Em primeiro lugar porque gosto de escrever e também porque acho que pode ser de utilidade pública. 

           Antigamente eu aceitava qualquer convite que me era feito e comparecia. Mas chega uma certa idade que a gente já não faz algumas coisas que fazia e por certos motivos. O DNA (data de nascimento avançada) já não permite e em outros casos porque é um pé no saco mesmo, de qualquer um. O nosso físico já não reage à geografia como antes nem às intempéries. O frio causa dor, o sol queima a cabeça (como no meu caso), dá câncer de pele. O calor traz cançaço e por aí vai. Não que eu me considere velho, afinal 50 anos hoje é o 35 de antigamente, mas eu sei as minhas limitações e até onde vai a minha paciência. Por isso resolvi escrever esse post como um lembrete à mim mesmo das coisas que não faço mais. Porque não quero ou porque não posso.

N.1 - Acampar. Eu sou casado com um americano que já foi escoteiro nos EUA por muitos anos, até quando adulto. Acampar, fazer fogo no meio do mato, são coisas que ele sabe fazer e gosta muito. Qual a minha resposta quando ele me convidou para acampar com seus amigos? "Vá com Deus!" Quem em sã consciência vai deixar o conforto da sua casa para dormir no meio do mato, em uma tenda, fazer necessidades ao ar livre e comer enlatado requentado sentado no chão? Por favor né? Tirando os israelitas que acamparam por 40 anos quando saíram do Egito (eu teria durado 1 ano ou teria voltado à pé sozinho) e os refugiados da Síria quem é que encara uma coisa dessas? Pra mim não obrigado. Eu saio da minha casa para ficar em um lugar que tem cama, ar condicionado, uma mesa e uma cadeira para comer e um chuveiro para tomar banho. Se não for assim, não saio de casa. 

N.2 - Formaturas. Quem tem que ir em formaturas são os pais, avós e irmãos. Como meus irmãos já estão formados e não tenho filhos, estou fora dessa. Ou como eu sempre digo "me inclui fora dessa". Tivemos que ir nesse final de semana à cidade de Abilene no Texas para a formatura da sobrinha do Alex. Foi uma tortura e por isso eu me inspirei a escrever este artigo. É lógico que foi bom conhecer o Texas, essas cidades que ainda conservam às ruas da época do velho oeste americano e tals, mas enfrentar uma multidão em um ginásio e ouvir os discursos de professores e alunos é uma tortura. Nunca mais! Aliás isso me lembra outra coisa.

N.3 - Eventos com multidão. Shows em parques, ginásios ou estádios, Brazilian Day, Dine and Wine do Epcot, não vou mais. As pessoas deveriam estudar as formigas para aprender a como se comportar no meio de 1000 de seus semelhantes. Ainda não sabem então não contem comigo. O que nos leva ao quarto ponto que tem motivos semelhantes:

N.4 - Parques temáticos. Meus hóspedes já sabem. Não vou, não levo, não busco, não quero ouvir a respeito. Para levar alguém à Disney, da minha casa leva uma hora só pra ir. Depois tem o engarrafamento perto do ponto de entrada e mais o mesmo tempo para voltar e tudo de novo para buscar. Venha com dinheiro para alugar um carro ou pegue um Uber. Em dez anos morando aqui já fui muitas vezes mas não pretendo ir mais. Talvez no Animal Kingdom para ver os animais uma última vez (primeira e última). Não dá. Ficar 1-3 horas em pé em uma fila esperando para entrar em uma atração que vai durar 3 minutos é matematicamente sair no prejuízo. E ainda tem que enfrentear a multidão que é o ítem 3. Pra quê eu vou sair do conforto da minha casa, da companhia dos meus amados cachorros, do ar condicionado para enfrentar uma multidão de 10 mil pessoas dentro de um parque temático?



N.5 - Sair com pessoas que sempre estão atrasadas. Atrasos acontecem, eu sei. Eu mesmo já me atrasei muitas vezes. Mas para alguns é um hábito e para o brasileiro especialmente, observo que é algo de pouco valor a pontualidade. Entre os americanos, por exemplo, um churrasco tem hora para começar e para terminar. É esperado de você que chegue um pouco depois do horário marcado e que vá embora antes do horário final. Os convites já vêm com horário do começo e do fim e eles são bem diretos (eu observo aqui em casa), quando deu a hora, o Alex fala aos seus convidados abertamente e para minha total surpresa: "Excelente, obrigado a todos por terem vindo mas está na hora de nós nos recolhermos". Eu achei que depois dessa esses amigos nunca mais apareceriam. Pelo contrário, todo mundo achou mais que normal. É ruim esperar por qualquer coisa ou por qualquer um e se eu percebo que é um hábito, já corto. Quem pretende chegar no horário, sai de casa com antecedência. Por educação e por respeito também ao tempo do outro que te espera. 



N. 6 - Batizados, Chá de Bebês e festa de aniversário de criança. Eu gosto muito de crianças - educadas. Já fui professor por 13 anos e meus sobrinhos já são adultos. Não vou ter filhos nem tampouco netos. Portanto já cumpri a minha cota sem sequer receber 1 centavo de auxílio insalubridade. Os americanos ficam abismados com a produção dos aniversários de crianças brasileiras aqui em Orlando. Tem bufê, manobrista e algumas me disseram até animadores. Tem misericórdia! E olha que, às vezes, a criança até repetiu de ano e fala palavrão.



N.7 - Velórios e casamentos em outro estado ou país. Já fui várias vezes, hoje até meu pai já sabe. Eu vou visitá-lo enquanto ele estiver vivo. Quando ele falecer não vou. Vou fazer uma oração por ele e desejar que ele tenha ido para um lugar melhor, seja esse qual for. Com uma fração da passagem de avião, eu mando um bom presente de casamento. 

N.8 - Lugares barulhentos onde não dá pra conversar. Restaurantes de Sports aqui em Orlando com 30 televisores no volume 50. Churrascaria na hora do pico. Bandeijão e o pior - Shopping Center! Me inclui fora dessa...

E por último - N.9 - Hospedar alguém por mais de 2 semanas. O bom hóspede é esperado quando chega e leva saudades quando vai embora. Mas nem sempre é assim. Quem hospeda tem que estar preparado. Quem vai se hospedar tem que ter ciência do distúrbio que vai causar. Por exemplo, o anfitrião tem que conversar, que preparar refeições, pôr a mesa todos os dias, limpar, aspirar, comunicar as regras da casa, esperar chegar no meio da noite e ser acordado, etc. Há muitos benefícios e eu adoro receber e hospedar, mas já percebi que após a segunda semana já se torna difícil. O ideal é ter alguém em casa por 1 semana ou no máximo por 10 dias. Assim não deteriora a relação de amizade e ambos se dispedem com aquele gostinho de "foi tão bom e passou tão rápido". Um mês? Você não vê a hora da pessoa sair da sua casa...é duro, mas é a realidade. Já vi amizades de décadas terminarem depois de uma visita de 1 mês.

        Acredito que essas sejam as coisas principais. Coisa de velho? Pode ser, mas acredite e tenha certeza. Velho todos ficamos e menos pacientes com certas coisas. Se divertir com outros à fora, sujeito às intempéries às vezes é preterido por um bom filme em casa com bolo e café passado na hora. Nada mais gostoso que um jantar com amigos em um bom restaurante. A gente se despede e restaurante recolhe os pratos lava toda a louça suja. 

          Já me disseram que daqui pra frente só piora. Eu não tenho certeza, mas uma coisa eu sei. Fazer as coisas contrariado e engolir sapo o tempo todo dá câncer. Vive mais quem se aborrece menos e as coisas simples dão mais felicidade. Complicação (de qualquer coisa) encurta a vida da gente. O importante é que façamos sempre o que gostamos e algumas vezes o que toleramos por amor aos outros, mas sempre respeitando nossos limites. E você já fez uma lista das coisas que não faz mais? Compartilhe com a gente, eu ia adorar saber! Abração

26 comentários:

  1. Oi Renato!
    Que bom que voltou a escrever no blog :)!!!
    Em primeiro lugar, acredito que quem te acompanha (eu por exemplo), não estão cansados de ler sobre desing, decoração, reformas e etc. Pelo contrario! Seus posts são sempre muito bons e é legal ver o quanto você evoluiu e continua evoluindo profissionalmente!
    Lembra daquele primeiro desenho de um banco com uma chave inglesa? Hahaha
    Mas adoramos também ler também sobre utilidades para quem quer conhecer um pouco mais a vida aí na terra do Tio Sam!
    Sobre os itens creio que não é questão de idade. Eu tenho 33 e o item 1, 2, 5, 6, 8 e 9 realmente, tô fora!
    O 9 é o mais complicado de todos, principalmente quando me mudei para o Rio de Janeiro. Recebia "amigos" e Amigos 1x por mês. Alguns meses eram 2 visistas.
    Amigos de verdade, voce tem razão... deixam aquele sentimento de que uma semana foi muito pouco... Mas os outros... é complicado! Já teve caso de receber primos distantes que nunca foram na minha casa quando morava em outra cidade! E tiveram a cara de pau de ficar mais de uma semana aqui, com a expectativa de me usar como Guia Turistico.
    As pessoas esquecem que temos uma rotina de trabalho, descanso e financeira que não dá para abrir mão para acompanhar TODOS que nos visitam todos os meses.
    É fo**.
    Sobre o item 3 e 7, até abro mão para um bom show de uma banda que eu queira muito assistir, ou casamento de um parente que realmente eu tenha muita ligação... velório eu também passo. Temos que tentar estar presentes enquanto as pessoas estão aqui conosco em vida.
    Enfim... Relaxa que os seus itens não tem nada a ver com a idade e sim com o bom senso e lógica. rs
    Grande abraço!

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    1. Obrigado Marcos, nossa lembro do desenho sim hahaha
      Gostei dos seus itens e também do comentário. Obrigado, assim me sinto motivado a continuar escrevendo
      Grande abraço!

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  2. Oiiiii Renato, te sigo há muito tempo , a 1ª vez que fui aí em Orlando , peguei muitas dicas do seu blog, que bom que voltou a escrever , adoro tudo que posta e escreve .

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  3. Eu fiquei muito feliz por saber que fez post novo!
    E acredito que muitos leitores antigos não cansariam de ler...

    E concordo que esse tal de DNA muda nossos hábitos e gostos . Eu mudei muito! A lista só tá aumentando a cada ano.... rsrs. Um grande abraço. Escreva mais. Sobre qualquer assunto! Lu Teng

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  4. Olá, Renato. Parabéns. Acompanho seu blog desde o início, ali por 2010 se não me engano. Acho muito interessante receber notícias do dia a dia e da rotina americana, através da ótica de alguém que vive aí, e portanto, faz parte desse dia a dia. Tenho 51 anos (prestes a completar 52), e posso dizer que me identifico, e muito, com os itens que você postou neste artigo. Até a próxima, e tudo de bom a vocês sempre.

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  5. Olá querido amigo...
    Admiro a tua sinceridade. Ela é picante e algumas vezes irônica. E faz dos teus textos algo divertido e cativante.
    Você é um cara gentil e sincero, cheio de vida. Mostra que ser gentil não é ser bonzinho. Ser sincero não é ser grosseiro. Ser flexível não é ser bobo.
    Tem muito a ensinar sobre respeito, Renato. Mas não enrijeça querido amigo. Há momentos em que o respeito é ceder a razão ao outro. Esteja em paz.

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    1. Obrigado querido Alexandre. Sábias palavras!
      Grande abraço

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  6. Bom te ver por aqui de novo! Com meus parcos 38 anos, além dos itens 1 e 9, ainda tolero a todos (ainda mais com 2 filhas pequenas em casa). Mas tenho percebido que a tolerância anda ficando cada vez menor, talvez aos 50 eu complete a sua lista. Pode continuar com o design que todo mundo gosta. Abraços, Tiago

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    1. Obrigado Tiago. Guerreiro você! Duas filhas pequenas! Parabéns!
      Grande abraço

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  7. Pergunta nada a ver: é verdade que os americanos não gostam dos doces brasileiros? E quais costumes nós BRs temos que os americanos acham excêntricos ou bizarros?

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    1. Oi tudo bem?
      Eu acredito que tudo gira em torno da formação do paladar. Uma vez criado em certa região nosso paladar é condicionado a sabores fragrâncias, etc. A mesma coisa acontece com os americanos. Por exemplo, você pode ir a um resturante Tailandês que vai ter Cheesecake de sobremesa pois é a sobremesa n. 1 para os americanos. Em casa já fiz, cheesecake e pudim. 100% dos americanos foram no cheesecake e uma minoria provou o pudim. Elogiaram mas por ser tão diferente, principalmente a textura, não o elegeram como sobremesa desejada. Muitos dos nossos doces são doces demais pra eles.
      Algumas coisas como cachorro quente com maionese é o fim para eles. Assim como eles comem feijão doce com cachorro quente pra nós.
      Abs

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  8. Eu gosto do formato de blog.

    Esse negócio de festa de criança... No Br a classe média metida a rica adora gastar os tubos numa festa da criança em buffet que parece um parque de diversão.

    Eu vejo aquilo e falo para minha filha. Isso ou viajar? Graças a Deus ela sempre falou "viajar"...

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    1. Que bom. Eu não critico quem faz, mas noto em certa medida que há uma competição pela festa melhor, e as redes sociais ficam abarrotadas por semanas com as fotos. Assim como as pessoas estão fazendo com fotos de casamento. Passou um ano ainda ficam postando as fotos do evento. Um saco
      Abs

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  9. Nossa muita coisa... terminar de ler um livro ou de assistir um filme se ele não estiver sendo bom.. (fazia isso para não deixar "inacabado")..... Deixar de comer algo que eu amo muito em nome de dieta... Ficar num emprego com chefe asqueroso.... conviver com gente negativa, deixar de usar uma roupa ou acessório com medo de não me "enquadrar" no que é certo da moda.... receber bem visita que não avisa que está indo.. pelo amor de deus eu não sirvo nem um copo de agua.. poxa custa avisar que está indo? Meu marido é cadeirante antes eu não me importava muito com a questão do lugar não ser totalmente acessível, ja tive que empurrar cadeira em brita, ficar segurando porta de banheiro etc, hoje somente vamos em lugares onde meu marido possa ter exatamente a mesma acessibilidade que os demais... sei lá estou cada vez mais "cri cri" mas não me importo.... estou mais feliz hoje... continuo adorando ler o blog.. Abraço

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    1. Obrigado pelo comentário! Eu entendo você 200%. Tem certas coisas que não dá mais. E a vida ficou complicada pra receber gente que não avisa que vem visitar. Já foi a época que ficávamos em casa sem fazer nada e uma "aparição" dessas era uma alegria. Hoje temos que parar de fazer alguma coisa que estamos fazendo para dar atenção ao visitante. Concordo com você, tem que avisar
      Grande abraço!

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  10. Boa noite, Renatinho! Sou seu leitor desde 2010, voce é demais. Que texto interessante e, mais ainda, franco. Puro pragmatismo, devemos evitar o que nos chateia e faz mal: falta de respeito, atrasos, lugares cheios e barulhentos, arghhhh! Estou com 54 anos e já não aturo bastante coisa . Em 4 anos me aposento e quero viver em Portugal ou Canada. Fique com Deus.Voce tem o dom de escrever. Já pensou em escrever um livro??

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    1. oi César, já pensei sim, mas nem sei por onde começar! Obrigado pelo comentário. Eu, se fosse você ia pra Europa viu? Canadá é bom mas o frio são por muitos meses seguidos, difícil de aguentar
      Abs

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  11. Oba, post novo!!! Puxa, Renato, muito verdade. Só abriria uma excessão para os parques temáticos, uma vez que, tendo a oportunidade de ir a Orlando, certamente que visitaria um parque da Disney. Mas de resto... E olha que ainda estou no início dos 30, hehehe. Realmente não sou chegada a mato, aglomerações, barulho excessivo, visitas inesperadas e atrasos (modéstia a parte, só me atraso se for intencional). Gosto muito do seu blog, acompanho há bastante tempo. Um abraço...
    Ana Cunha

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  12. Achei muito bacana sua lista, porém discordo de alguns, mas concordo plenamente com outros como o 5,8 e 9.
    Eu acompanho seu blog justamente por sair daquela coisa chata de blog voltado pra turista onde só se fala bem do lugar, onde só se mostra belezas. Gosto de assuntos variados sobre cultura, não só da estadunidense mas de todos os países, continue escrevendo temas aleatórios e se possível é claro com uma boa frequência. Grande abraço.

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Etiqueta cai bem em qualquer lugar, até na internet. Seja educado ao comentar e perguntar. Olá..., meu nome é..., por favor e obrigado são palavras que ainda estão em uso e mostram cordialidade. Afinal, o blog não é balcão de informações de shopping e embora eu esclareça as dúvidas de todos de bom grado, não ganho nada para isso.
Obrigado por comentar e abração!

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