quinta-feira, 15 de junho de 2017

Viagem a Oklahoma City

           Eu já visitei muitas cidades e estados desde imigrei para os EUA em 2009. Eu tenho uma lista dos lugares que eu quero conhecer nos EUA e, Oklahoma não estava na lista. Nem sei o por quê. Acho que pelo fato de ser a terra dos Tornados talvez. Talvez pelo fato de que é um lugar central nos EUA que nunca se ouve falar ou mesmo tem algo de interessante. Pois eu pensava assim até que o Alex me convidou para ir conhecer a família dele em Oklahoma City.

            De Orlando, a Southwest tem vôo direto que dura, 2hs e meia de viagem. Segundo o Alex, Oklahoma pode ficar mais quente que Orlando (será?) no verão e no inverno é frio como um freezer. Como estamos na primavera (e falaram isso pra todo mundo menos pra Orlando pois o calor daqui começou já nos últimos dias do inverno e não parou) não ia ter problema pois a primavera lá tem temperaturas amenas. 

     Desde que chegamos no aeroporto fiquei muito impressionado. Descer no aeroporto de Newark é como levar um balde de água+decepção juntos. É feio e sujo. O aeroporto de Oklahoma city é lindo, arrumado, limpo, cheiroso e as pessoas parecem "americanas" (a interpretação é sua).

         


          Eu sei que pra quem mora no Brasil, Orlando parece um paraíso. Realmente quando estamos de visita não notamos muitas coisas que só percebemos quando moramos aqui. Claro, nada assim tão ruim que dê para ficar se queixando, mesmo porque eu sou da turma dos "incomodados que se mudem", por isso saí do Brasil. Mas se comparar Orlando com Oklahoma city dá pra perceber muitas diferenças. A primeira na quantidade de imigrantes. Não se vê tantos como se vê em Orlando, especialmente no Sul da Flórida. Outra diferença é na educação das pessoas. Se os brasileiros acham que os americanos de Orlando são educados, vá para Oklahoma city. Essa região é conhecida pela polidez dos cavalheiros (southern gentleman) e é mesmo!

          As pessoas se vestem muito bem, as ruas são muito bem cuidados, os carros são limpos, etc. Tudo muito organizado, muito mais do que Orlando. Sabe o preço da gasolina? 
USD 1,49 um galão de 3,78L 








           Fomos também visitar o museu dos ossos de Oklahoma City. Muito interessante o museu. 





          Também fui no centro de Oklahoma city passear à noite. Tem uma mini-veneza com um passeio de barco de 1 hora aproximadamente. O lugar chama-se Bricktown. Tudo com um charme de faroeste. 









          Há uma história muito triste sobre como os índios americanos foram tratados pelos colonizadores. Eles foram obrigados a deixar a costa leste e a Flórida para viver em Oklahoma. Dezesseis mil foram forçados a ir à pé desses lugares para Oklahoma e 4 mil morreram na viagem. 




          Em todos os lugares como em prédios do governo há imagens, pinturas e esculturas que descrevem a vida dos índios no estado. 

           Há lojas em Oklahoma que são o paraíso dos designers de interiores!! Veja só:










Na "At Home" havia 5 corredores só de almofadas!!!!

Uma variedade de espelhos incrível




















      A Overholser Mansion foi um dos passeios que mais gostei pois a casa está quase 100% do modo quando foi construída. Pesquise a vida de Henry Overholser, o pai de Oklahoma City, é interessantíssimo!!





         Passeando sozinho com o carro da madrastra do Alex, visitei algumas casas à venda e deu uma raiva danada de viver em Orlando. Essa casa que fotografei custa 390 mil dólares. O dobro do tamanho da minha e quase o mesmo valor. :@




             Por fim, foi um prazer conhecer a família do Alex, especialmente sua madrastra Mama Fran e seu filho peludo Zeeke. Só não mudaria pra lá nunca por causa dos tornados. Na mesma noite que chegamos não pudemos sair por causa da ameaça de tornados. As casas têm abrigos para tornados que ficam no quintal ou mesmo na garagem. Naquela noite, 16 tornados passaram por Oklahoma e 10 pessoas morreram. :(


O abrigo para se proteger dos tornados



Eu e meu novo amigo Zeeke

Alex e eu













sexta-feira, 12 de maio de 2017

Redecorando uma Casa de Veraneio

           Em minha recente visita ao Brasil para atender clientes em reuniões particulares em São Paulo eu conheci a Daniela e o Eduardo que estão interessados em adquirir a segunda casa de veraneio em Orlando. Enquanto a venda não sai, eles me disseram que desejavam reformar a townhouse (casa geminada) que possuem no condomínio Emerald Island. Na verdade seria também uma "redecoração" do imóvel. 

             No entanto a lista não era pequena e sim o orçamento, como quase todo trabalho de design aqui em Orlando, principalmente pelo fato de que, cada dólar gasto em Orlando, significa 3,20 reais do Brasil. 

            Examinando a lista do casal, concluí que a reforma e redecoração desejados custariam em torno de 30 mil dólares o que, realmente não compensa o investimento pois esse custo estaria, agregado ao valor que pagaram pela propriedade, muito mais do que o potencial valor de revenda do imóvel se caso desejassem vendê-lo em curto prazo. Chamamos isso aqui nos EUA de "over improvement". Quando você investe tanto em um imóvel que ele supera o valor de venda, mesmo reformado. Se desejassem vender, perderiam dinheiro. Aliás, o orçamento disponível era de 1/3 do proposto. 

          Por esse motivo optamos por um "face lift", ou seja, uma pequena maquiagem, plástica, trazendo o imóvel para os dias de hoje e também mais atrativo para locações. Em visita ao imóvel quando ocupado por um hóspede bagunceiro (hehehe) fiz algumas fotos do "antes". 



















          O imóvel precisava primeiramente de uma pintura total de paredes, rodapés, portas, teto e depois uma deep clean (uma faxina) que nos EUA custa em torno de 350 dólares. É amigo, no Brasil uma pessoa limpa sua casa por 8 horas por 100-150 reais. Aqui, com 120 a limpeza é de 2 horas somente e uma faxina, como no Brasil, custa 350 dólares. 

          Depois de nosso "toque" e aproximadamente 10 mil dólares que incluem comissão de designer, móveis, acessórios, quadros e profissionais como pintor, eletricista e montadores, o imóvel ficou desta maneira:































        Se desejar alugar o imóvel de 3 quartos do casal, entre em contato com a Daniela no email emc2xllc@hotmail.com

        Se quiser fazer uma redecoração de uma casa de veraneio entre em contato pelo email studiorinteriordesign@gmail.com

       Se quiser adquirir um imóvel de temporada em Orlando entre em contato no email renato@unorealtygroup.com

        E aqui vai a novidade. No mês passado eu passei no exame estadual para Broker e recebi minha licença de Broker. Com ela em mãos abri minha própria imobiliária, A UNO REALTY GROUP. Ainda estou no processo de construção do Website e outros detalhes. Não é fácil administrar duas empresas, uma empresa de Design e uma Empresa de corretagem, mas tenho tido muita ajuda, especialmente do meu sócio em negócios e também na vida Alex Howell. Será um prazer poder ajudar brasileiros a conquistar o sonho de uma casa de veraneio nos EUA ou mesmo aqueles que desejam imigrar. 

Grande abraço a todos!

Renato Alves

Real Estate Broker
Uno Realty Group
 


Cell +1.407.808.1878

Office|Fax  407.802.2837

1494248507786_Small        

domingo, 12 de março de 2017

Visita ao Brasil


         Na semana de 17 a 21 de Abril estarei em São Paulo para fazer atendimentos particulares no Hotel Renaissance em São Paulo. Os atendimentos serão com hora marcada, individuais e não há custo algum. Os interessados em adquirir imóveis para locação de temporada (investimento) ou imóveis residenciais poderão ter todas as suas dúvidas sanadas em uma hora aproximadamente. 
Além desses tópicos, podemos conversar sobre viver nos EUA, mudança, um pouco sobre imigração, mas o foco será a aquisição de propriedades nos EUA e não sobre imigração, já que como corretor, é mínima a informação que posso fornecer. 
Levarei comigo mapas, brochuras e cartões de visita. Os interessados, por favor, marcar horário por email rs_alves@hotmail.com ou whats app +1-407-808-1878
Se quiser deixar uma mensagem por inbox, por favor, coloque seu email na mensagem. 
Não marque horário por comentários pois geralmente eles se tornam centenas e é muito difícil de ler a todos. 
Se não é ainda o momento para você, marque aqui seu amigo que gostaria de ter um imóvel nos EUA e tem condições para tanto. Quem sabe ele não te convida para vir com ele?
Grande abraço a todos!



domingo, 5 de março de 2017

Um Dia na Corte Americana


       Eu tenho um cliente que comprou uma casa em Celebration para férias da família e se tornou amigo também. Ele não comprou a casa comigo, mas foi o meu primeiro trabalho como designer. Peguei a casa dele aos pedaços, que eles compraram do Brasil sem sequer visitar o imóvel, reformei e decorei em 21 dias. Foi, no mínimo, uma tarefa interessante. Você pode ver o post que falei a respeito aqui.

           Ele usa a casa só para férias e o resto do ano a casa fica fechada. Ele foi a uma viagem de negócios em Miami e na volta, correndo um pouco foi parado por um guarda que pediu sua carteira de motorista. Ele apresentou a carteira, mas como não estava com o passaporte o guarda entregou a ele uma intimação para comparecer à corte no dia 21 de fevereiro de 2017. Para quem não sabe, a carteira de motorista do Brasil é válida nos EUA com a apresentação do passaporte e pelo tempo que a imigração autorizou a pessoa a ficar presente no país. Se a imigração deu 6 meses, ele pode dirigir com essa carteira por 6 meses. Mas é obrigatória a apresentação do passaporte. 

A carteira Internacional NÃO É CARTEIRA DE MOTORISTA
É uma tradução da sua carteira. Só vale com a apresentação da carteira original
e com o passaporte. Nos EUA não é exigida para dirigir


          Como ele não fala inglês, ficou com muito medo de ir sozinho na corte para se defender e explicar exatamente o que aconteceu. Pediu minha ajuda e é claro que eu concordei. Só não sabia que a corte era perto de West Palm Beach! Saímos de Orlando 1as 6 horas da manhã para a audiência que seria às 9 em uma cidade chamada Okeechobee, que pelo jeito deve ser um nome indígena. 

           Foi muuuito interessante ter comparecido à corte americana. Em primeiro lugar, ao chegar, passar pela segurança, entramos na sala onde havia já umas dez pessoas esperando também. Na parte da frente da sala ficava o pódio do excelentíssimo Juiz, do promotor, dos advogados de defesa e ao centro havia um monitor que mostrava 4 indivíduos vestidos de roupas de presídeo, sentados, olhando diretamente para a camera, ou seja para nós. As audiências começaram com eles, e triste dizer, mas foi uma comédia. 




              Em primeiro lugar o Juiz chamava o nome do fulano e este ia para perto da camera. O Juiz lia a sentença para o tipo de trasngressão cometida e dalí começavam as considerações. O primeio indivíduo tinha batido no pai e estava preso. O Juiz informou o sujeito da pena de 120 dias de cadeia mais uma multa de 500.00 dólares. Fiança em 5 mil dólares. O promotor perguntou ao indivíduo se o mesmo saísse com fiança teria uma maneira de comparecer à corte em 30 dias, ao que o fulano disse que sim. Daí a pergunta ficava mais específica.
- "Você possui um veículo para comparecer à corte?" perguntou o promotor.
- "Sim", disse o fulano.
Em seguida a terceira pergunta mais específica:
- "Você possui um carro?" 
- "Não" disse o sujeito e o promotor perguntou:
- "Como você comparecerá à corte?" e o fulano respondeu:
- "Eu tenho uma bicicleta.. "

          Nessa hora eu fiquei com vontade de rir, mas enguli a seco a risada, pois já sabe né? Distúrbio da corte vem correndo um guarda e já põe algemas em você. 


          E assim foi para o segundo, terceiro, etc. No último sujeito que vimos pelo vídeo, na terceira pergunta, como ele viria à corte o sujeito disse "Andando..."

           Tivemos que esperar uma longa lista de lavação de roupa suja pública. Tudo quanto é tipo de gente, a maioria bem simples, bem mal vestida, alguns até sujos, hispanos, americanos e outros. Um caso diferente do outro, desde conduta desordeira, dirigir bêbado, bater na namorada, cuspir no caixa do banco, jogar lixo no quintal do vizinho, etc. Uma comédia digna de um capítulo de um seriado sobre a vida bandida. 

Bem parecido com a corte que fomos porém, a nossa
tinha um portão que separava a plateia da parte
da frente

          Finalmente o Juiz chama o nome do meu cliente/amigo e lá vamos os dois. Ao passar pelo portãozinho que dividia a platéida da corte, o guarda olhou pra mim e disse "Você volte para sua cadeira". Eu disse "Meu amigo não fala inglês" e ele me respondeu "Temos tradutor" ao que eu disse "Mas ele também não fala espanhol". O guarda olhou furioso pra mim e disse num tom mais alto: "Volte para sua cadeira agora". Lá volto eu, super bem vestido (ao contrário da maioria), humilhado, na frente do povo todo e sento na minha cadeira.

         Pensei neste momento, que perda de tempo, vim até aqui para não poder ajudá-lo com nada. O Juiz faz uma pergunta a ele ao que a tradutora fala ao meu amigo em espanhol. Ele entende, responde em português e a sujeita não entende. Ela diz ao Juiz, não entendi o que ele falou. Segunda pergunta, terceira pergunta etc. E eu parecendo uma coruja de olhos arregalados prestando atenção a cada palavra. Neste momento o excelentíssimo Juiz olha pra mim e pergunta:

- "O senhor está acompanhando o Sr. X?" e eu respondi que sim.
- "O senhor fala português?" e eu respondi que sim. Ao que ele disse, aproxime-se por favor. 


         Nesta hora eu olhei para guarda com cara "não te disse?". Vingado, levanto eu e vou para perto do Juiz. 

          O Juiz pergunta se ele se considera culpado, não culpado ou não contesta. (Guilty, not guilty or No contest?) E eu já tinha dito ao meu amigo para responder "No Contest". No contest significa que você não admite a culpa (pois ele tinha carteira de motorista), mas também não é "not guilty" pois se dissesse isso, teria que comparecer a outra audiência.
No contest significa que você não contesta a acusação. No caso dele a sentença seria 60 dias de cadeia mais a multa de 500 dólares. Havia sim chances de ele sair algemado, mas muito pouco provável. 


               O promotor perguntou se ele tinha carteira de motorista ao que eu respondi que sim. Ele pediu pra olhar. Daí perguntou porque foi intimado a comparecer à corte. Eu tive que perguntar a ele pois não podia responder por ele, mesmo sabendo a resposta. Disse que ele não estava com seu passaporte no momento. O juiz disse a todos que não entendia porque o guarda entregou a intimação então. Neste momento eu pedi licença para falar e disse: "De acordo com as leis da Flórida, a carteira brasileira só tem validade se apresentada com o passaporte, que ele esqueceu em casa"
E todos disseram: "Ahhhhhhhh" Viu seu guarda, além de extritamente necessário na corte ainda ensinei o juiz, o promotor e o advogado de defesa, a lei. Mais que vingado...

           Em seguida o promotor me perguntou. "Quem mora na residência em 800 Spring bla bla bla?" Eu disse "Ninguém mora lá, trata-se da casa de férias do meu cliente e eles moram no Brasil. A casa fica fechada na maior parte do tempo".

          O juiz chama o promotor e diz a ele que meu amigo viajava extensivamente e voltando pra nós, solta a frase: "The state is dropping the charges against you Sr, you're free to go" (O Estado está cancelando as acusações contra o Sr, o Sr está livre para ir). Nessa hora uma alívio,  assinamos uns papéis e embora dalí pelo amor de Deus. 


          Sem dúvida foi uma manhã super interessante. Não sabia que essas pequenas causas eram discutidas e julgadas em frente à todos os outros que estavam alí. Vi que o juiz, o promotor e o advogado de defesa eram muito compassivos das pessoas. Por ex, toda vez que o juiz pedia ao promotor a sugestão de pena por dirigir sem carteira o mesmo dizia: "A pena é que ele pague multa e tire a carteira de motorista" Nenhum desses casos teve o encarceramento como pena. Até mesmo um sujeito que disse que não poderia tirar carteira pois era imigrante ilegal, o promotor sugeriu o pagamento de uma multa no valor de 150 dólares. Vivendo e aprendendo, mesmo perto do 50 anos. Abs a todos!





           
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