quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O American Dream Morreu?

Análise do texto de Sueli S. Do blog FashionSpill.com


               Ontem recebi um comentário de um leitor dizendo ter ficado muito desanimado após ler o texto citado. Assim como milhares de pessoas que tem o sonho de viver nos EUA, Ricardo, após ler o texto sentiu-se desanimado devido à quantidade de informações negativas citadas no post. Ele, gentilmente, pediu que eu desse a minha opinião sobre o texto. O que o texto fala é verdade mesmo? É realista? O American Dream morreu depois da crise de 2008?

               Em muitos sentidos o texto é realista. Eu não conheço a autora, não sei o que ela faz ou mesmo os motivos que a levaram a escrever o post. Muitas coisas que ela escreveu são a pura realidade, outras informações estão um pouco desencontradas.

               Você há de concordar comigo que, da mesma maneira que quem vive no Brasil e vem de férias aos EUA tem uma pequena percepção do que é realmente morar, trabalhar e viver aqui, da mesma forma, quem vive nos EUA, tem uma pequena percepção do que também é morar, trabalhar e viver no Brasil. Assim como quem está de férias nos EUA não consegue ter uma visão completa do assunto e só vê a organização, educação, eficiência em muitos sentidos e outros pontos positivos, quem vai de férias ao Brasil, também (me parece, lendo blogs de brasileiros que vivem nos EUA), concentra-se nos pontos positivos como a comida brasileira, a amistosidade do nosso povo, a beleza natural e muitos outros pontos positivos e não citam nada de negativo.

               Veja este exemplo. No texto mesmo, ou nos comentários, há a declaração que no Brasil a escola é de graça e a faculdade pública também, coisa que não acontece nos EUA. No entanto, vá na USP ou faça uma pesquisa e veja quantos % dos alunos da USP, UNESP e das Federais, veio de escolas públicas? Quais são as chances de quem cursou o 1º e 2º graus na escola pública brasileira, de enfrentar o terrível vestibular e ingressar em uma faculdade pública no Brasil e estudar de graça? Há no Brasil, neste sentido, uma inversão malígna na minha opinião. Quem fez as melhores escolas, faz faculdade de graça. Quem estudou na escola pública e não pode pagar, a maioria esmagadora, terá que pagar pela faculdade.

               Este é um exemplo de informação desencontrada que percebi lendo o texto. Mas eu não estou aqui para começar a apontar os problemas do Brasil para os brasileiros porque, os brasileiros sabem muito bem quais são e sua realidade.       
                 
               O que não acho correto, em nenhum sentido, é a visão tacanha ou totalmente direcionada. Pessoas que moram no Brasil e que acham que os EUA é uma maravilha ou pessoas que moram nos EUA e acham que o Brasil é uma maravilha. Parece-me que quem está de fora, vê o que quer, não concorda? Como vai haver quem diga que o inferno deve ser um lugar ótimo para se bronzear. A realidade é que não existe país perfeito, mesmo os mais ricos tem alto índice de suicídio. Há exemplos de pessoas que se deram mal nos EUA e pessoas que se deram bem. Não é possível fazer um julgamento total da situação de um país, baseado em uma amiga (da escritora) que tem 3 faculdades e nunca conseguiu emprego nos EUA. Assim também como não posso julgar o Brasil porque tenho um amigo advogado que trabalha vendendo pastel na feira. Ou só porque alguém escreveu um artigo e publicou na internet dizendo que o American Dream morreu, não significa que isso seja referência ou mesmo a verdade. E isso tanto vale para o Brasil como para os EUA.

               A Sueli fala desde o princípio que escreveu o post para "pessoas que desejam largar tudo no Brasil e imigrar ilegalmente aos EUA". Neste sentido, quase 90% do que ela diz pode virar a realidade do imigrante, principalmente depois do 11/9 e da crise de 2008. Se você tem o desejo de viver nos EUA, deve ler com cuidado o texto dela, o meu e de muitos outros antes de tomar sua decisão. O texto dela é longo e tem mais de 60 comentários aos quais eu li todos. Inclusive muitos brasileiros vivendo aqui, nos comentários, discordam dela. Este provavelmente será o post mais longo de todo o blog e já de antemão aviso, que tentarei deixar a "minha opinião" de fora e se basear em fatos, tomando muito cuidado com BIAS, que infelizmente, permeia o texto da Sueli. Todos nós temos Bias e algumas vezes não percebemos que nosso ponto de vista está permeado de BIAS.

Bias is an inclination of temperaments or outlook to present or hold a partial perspective at the expense of alternatives in reference to objects, people, or groups. Anything biased generally is one-sided and therefore lacks a neutral point of view.

Pré-conceito (separação minha, como conceito pré-estabelecido): Preconceito (conceito pré-concebido) é uma inclinação de temperamento ou a perspectiva de apresentar ou manter uma perspectiva parcial em detrimento das  alternativas em referência a objetos, pessoas ou grupos. Tendenciosa nada geralmente é unilateral e, portanto, carece de um ponto de vista neutro.

O Dicionário português, em uma das alternativas de significado diz:
4 Social: Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos.

               Então aqui está meu desafio. Escrever uma análise livre de crença, opinião ou generalização. Será que eu consigo?

               Em primeiro lugar teremos que ler o artigo publicado pela Sueli S. no seu blog. Como o blog dela não permite a cópia de textos, é preciso ler no próprio site. Aqui vai o endereço:

Se quiser, deixe duas janelas abertas porque pretendo comentar cada subtítulo

 O Sonho Americano está morto.

               Em primeiro lugar, o que é o sonho americano? Existem várias definições para o American Dream. Basicamente isso quer dizer que os EUA é o país das oportunidades, lugar que uma pessoa pode conseguir sucesso e riqueza com trabalho árduo. É assim mesmo? Como eu disse no princípio, nada deve ser concluído com exemplos individuais. O fato de alguém ter se dado bem nos EUA não significa que o American Dream está vivo e o contrário também não significa que morreu. Para que pudéssemos responder essa pergunta, talvez algumas semanas de pesquisa seriam necessárias. É fato que muito americanos perderam seus empregos durante a crise e não conseguem encontrar outro. No entanto, como é que há 12 milhões de imigrantes ilegais trabalhando e sobrevivendo de uma maneira ou de outra? Vale considerar...

               Eu vejo americanos moradores de rua. Eu vi, na minha faculdade, duas pessoas moradoras de rua estudando. Existem moradores de rua no Brasil que teem essa oportunidade? Também não sei, mas confesso que fiquei impressionado com o fato. Tanto aqui como no Brasil existe assitência a pessoas de rua, mas a maioria (como vi aqui na TV) não deseja ser re-encaixado mais na sociedade e existe teorias que explicam o fato. Porque é que todos os moradores de favelas no Brasil não se tornam moradores de rua? Porque certos indivíduos tem a força e motivos para lutar pela vida e pelo sustento de sua família, outros não. Por esse motivo existem moradores de rua em TODOS os países. Até na Suiça, Noruega, Austrália e outros países considerados dominantes do IDH (falo dele a seguir). Um aumento no número de moradores de rua seria observado após crises financeiras ou mesmo guerras.

               O que eu estou querendo dizer é que moradores de rua, gente pobre, tem nos EUA também. A única informação que eu consegui a esse respeito são informações sobre a linha da pobreza nos EUA. É considerado pobre nos EUA quem ganha menos de USD 23,021.00 anuais para uma família de 4 pessoas. Segundo este site, mais de 46 milhões de americanos estão nessa posição. Uma conta bem rápida mostra que 15% da população nos EUA está abaixo da linha da pobreza.

               Mas a linha da pobreza em cada país é calculada de maneira diferente. Por exemplo, no Brasil, diz-se que uma pessoa está abaixo da linha da pobreza se ganhar menos que R$ 70,00 mensais. Esse valor vezes 4 pessoas, vezes 12 meses dá um total de R$ 3.360,00 anuais para uma família de 4 pessoas. Neste sentido há, pelo menos, uma diferença no conceito de pobreza no Brasil e nos EUA. Nos EUA uma pessoa que ganha menos que USD 479.60 mensais é considerada como vivendo abaixo da linha da pobreza. No Brasil só é considerado abaixo dessa linha quem ganha menos que R$ 70,00 (aproximadamente 16 milhões de pessoas). E quem ganha R$ 678,00 (salário mínimo), quase dez vezes mais que 70 reais, não é pobre no Brasil? Qual o número (ou %) de pessoas no Brasil que ganham entre 70 e 678 reais? Nunca encontrei esse número...mas tenho receio (e tristeza no coração) de pensar que podem ser mais que 46 milhões de brasileiros.

               E o que isso tem a ver com o American Dream? Com a crise de 2008, ficou mais difícil para os americanos viver o American Dream. Consequentemente, para qualquer outro tipo de pessoa vivendo nos EUA. Sem documentos então nem se fala. No entanto, os dados do mercado imobiliário americano mostram que o número de imóveis negociados aumenta a cada ano após 2010. Voltará ao que era antes da crise? Ninguém sabe, talvez nunca volte. E quem é que disse que só é possível ser feliz com casa própria? 

               O índice de desenvolvimento humano IDH também é outro fator a considerar. O índice de desenvolvimento humano, feito pelas Nações Unidas, mede, na linguagem indouta, a qualidade de vida e oportunidades de um indivíduo em cada país. Veja a lista e tire suas próprias conclusões:

Very High
Human Development

1.        Norway
2.        Australia
3.        United States
4.        Netherlands
5.        Germany
6.        New Zealand
7.        Ireland
7.        Sweden
9.        Switzerland
10.      Japan
11.      Canada
12.      Korea (Republic of)
13.      Hong Kong, China (SAR)
13.      Iceland
15.      Denmark
16.      Israel
17.      Belgium
18.      Austria
18.      Singapore
20.      France
21.      Finland
21.      Slovenia
23.      Spain
24.      Liechtenstein
25.      Italy
26.      Luxembourg
26.      United Kingdom
28.      Czech Republic
29.      Greece
30.      Brunei Darussalam
31.      Cyprus
32.      Malta
33.      Andorra
33.      Estonia
35.      Slovakia
36.      Qatar
37.      Hungary
38.      Barbados
39.      Poland
40.      Chile
41.      Lithuania
41.      United Arab Emirates
43.      Portugal
44.      Latvia
45.      Argentina
46.      Seychelles
47.      Croatia

High
Human Development

48.      Bahrain
49.      Bahamas
50.      Belarus
51.      Uruguay
52.      Montenegro
52.      Palau
54.      Kuwait
55.      Russian Federation
56.      Romania
57.      Bulgaria
57.      Saudi Arabia
59.      Cuba
59.      Panama
61.      Mexico
62.      Costa Rica
63.      Grenada
64.      Libya
64.      Malaysia
64.      Serbia
67.      Antigua and Barbuda
67.      Trinidad and Tobago
69.      Kazakhstan
70.      Albania
72.      Dominica
72.      Georgia
72.      Lebanon
72.      Saint Kitts and Nevis
77.      Peru
78.      Ukraine
80.      Mauritius
81.      Bosnia and Herzegovina
82.      Azerbaijan
84.      Oman
85.      Brazil
85.      Jamaica
87.      Armenia
88.      Saint Lucia
89.      Ecuador
90.      Turkey
91.      Colombia
92.      Sri Lanka
93.      Algeria
94.      Tunisia

Medium
Human Development

95.      Tonga
96.      Belize
96.      Dominican Republic
96.      Fiji
96.      Samoa
100.    Jordan
101.    China
102.    Turkmenistan
103.    Thailand
104.    Maldives
105.    Suriname
106.    Gabon
107.    El Salvador
108.    Mongolia
111.    Paraguay
112.    Egypt
114.    Philippines
114.    Uzbekistan
118.    Guyana
119.    Botswana
120.    Honduras
121.    Indonesia
121.    Kiribati
121.    South Africa
124.    Vanuatu
125.    Kyrgyzstan
125.    Tajikistan
127.    Viet Nam
128.    Namibia
129.    Nicaragua
130.    Morocco
131.    Iraq
132.    Cape Verde
133.    Guatemala
134.    Timor-Leste
135.    Ghana
136.    Equatorial Guinea
136.    India
138.    Cambodia
140.    Bhutan
141.    Swaziland

Low
Human Development

142.    Congo
143.    Solomon Islands
145.    Kenya
146.    Bangladesh
146.    Pakistan
148.    Angola
149.    Myanmar
150.    Cameroon
151.    Madagascar
153.    Nigeria
154.    Senegal
155.    Mauritania
156.    Papua New Guinea
157.    Nepal
158.    Lesotho
159.    Togo
160.    Yemen
161.    Haiti
161.    Uganda
163.    Zambia
164.    Djibouti
165.    Gambia
166.    Benin
167.    Rwanda
168.    Côte d'Ivoire
169.    Comoros
170.    Malawi
171.    Sudan
172.    Zimbabwe
173.    Ethiopia
174.    Liberia
175.    Afghanistan
176.    Guinea-Bissau
177.    Sierra Leone
178.    Burundi
178.    Guinea
181.    Eritrea
182.    Mali
183.    Burkina Faso
184.    Chad
185.    Mozambique
186.    Niger
(Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países comodesenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.
O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no seu relatório anual.)) 


               No entanto, lembre-se que esse índice é aplicavel aos cidadãos do próprio país. Não existe um IDH que considere a qualidade de vida e oportunidades para imigrantes ilegais. Há imigrantes que se deram muito bem e outros não. Há brasileiros no Brasil que se deram muito bem e outros não. O sucesso vai depender da dedicação, determinação, atributos e outros fatores de CADA indivíduo. Mas se o IDH mede também as oportunidades, é fato que em um país com IDH alto há mais oportunidades. Principalmente se o indivíduo imigrar legalmente. Mesmo imigrando ilegalmente, em todos os países existem mecanismos para a legalização. Alguns mais difíceis (como nos EUA) e outros não. No momento, o governo americano está em processo de regularização de 12-13 (cada um fala um número) milhões de imigrantes ilegais. A última anistia foi dada no governo de Bill Clinton.

EDUCAÇÃO
               Comparar a escola pública americana e a brasileira é uma tarefa muito difícil. Existem boas escolas públicas nos EUA e existem péssimas escolas. O imposto pago por imóveis é o principal responsável pelo sucesso da escola nos bairros americanos. Um bairro classe média alta, terá, provavelmente uma boa escola e pessoas ricas colocam seus filhos na escola pública (o que dificilmente acontece no Brasil). Já bairros pobres tem escolas medianas ou mesmo péssimas. A impressão que eu tenho é que as escolas particulares do Brasil tem um nível muito superior ao das escolas públicas americanas, mas isto é a impressão que eu tive examinando o currículo da escola pública americana, comparado com o que se ensina no Brasil na escola particular. Eu não tenho esses dados para escolas particulares nos EUA. A única certeza que eu tenho é a seguinte: Qualquer pai ou mãe vai querer dar a melhor educação para seu filho, seja ela pública ou particular e o orçamento da família é que vai definir aonde esse estudante será colocado, na particular ou na pública, seja no Brasil ou nos EUA.

SEGURANÇA
               Eu preferia nem comentar esse tópico mas tenho uma coisa a dizer sobre o texto da Sueli. Ela diz: "Aqui também existem assaltos, assassinatos, roubos, acidentes de carro e muitos outros problemas igualzinho no Brasil" Existem sim, mas os dados e estatísticas mostram que não é igualzinho no Brasil. As consequências também não são tratadas da mesma maneira.

SALÁRIOS NOS EUA
               O que ela diz é verdade. Vindo como imigrante ilegal, não espere trabalhar de cara como garçonete. Inglês fluente é o mínimo exigido para essa posição. Embora algum restaurante possa contratar sem documentos, a grande maioria não contrata pois há punição severa para quem contrata imigrantes ilegais. Uma pena ela só ter comentado sobre esse ponto. Gostaria de ter visto um estudo maior sobre os salários nos EUA em comparação com os do Brasil. Uma informação que eu tenho é que a média salarial anual americana é em torno de USD 46,000.00, para americanos e imigrantes documentados.
               Quanto às contas que ela apresenta, realmente trabalhar como imigrante ilegal e viver sozinho pode ser um desafio orçamentário. No entanto, nunca conheci alguém nessa situação. Geralmente os brasileiros dividem casas e apartamentos, assim o aluguel fica mais acessível por pessoa. Nenhum dos estudantes americanos da minha faculdade moravam sozinhos em apartamentos. Todos dividiam aluguel.

EMPREGO, DESEMPREGO E VOCÊ SABIA?
               Depois da crise evidentemente que achar um emprego virou um problema nos EUA. Há quem diga que não. Conheço brasileiros que estavam empregados antes da crise (ilegais), mantiveram seus empregos e ainda estão trabalhando. Mas deve isso ser tomado como regra? Logicamente que não. Conseguir um emprego depende de muitos fatores, muitos fatores. Em um país que recentemente passou por uma depressão econômica os desafios são maiores, mas não é impossível arrumar um emprego. Ela cita nos comentários que uma amiga dela com 3 faculdades nunca arrumou emprego. Um caso particular não deve ser usado para generalizar uma situação. Há desafios para arrumar emprego nos EUA como há no Brasil, documentado ou não, mas não é algo impossível. 

                Aqui vai outro exemplo que também não deve ser usado para  generalização. Dos colegas da minha faculdade que ainda mantemos contato estão: Eu, Daniela, Gina, Christian, Sergio, Jeniffer, Gislaine, Kate, Ziporah, Daniela II, Marie  e Natalie. Todos fizemos parte da formatura de junho de 2013. Todos estão empregados! Eu e a Gina temos projetos particulares e eu já neguei dois empregos por não considerá-los interessantes para minha carreira no momento, mas estou fazendo entrevistas e trabalhando em 2 projetos, um em Miami e outro em Naples. Novamente, isso não deve ser considerado como regra. Mas é um contraste quando se compara com a informação "mesmo quem tem faculdade aqui não encontra emprego..." não acha?

              "Aqui nos EUA não existe carteira assinada..." - Verdade, eles usam outro método."...nem férias remuneradas..." não é verdade, o empregado tem férias e recebe o salário normal durante a ausência, vai depender do contrato de trabalho."...e nem 13º..." alguns empregos pagam 13º. O Robert recebe 13º. Um cheque extra em julho e outro em Dezembro. Ele é americano e trabalha em uma empresa americana. Algumas empresas pagam 13º. "...ou 1/3 de férias..." Verdade, 1/3 de férias ainda não conheci ninguém que recebesse. 

           Outra coisa que não existe é FGTS, porém algumas empresas tem outras maneiras de acumular dinheiro para o empregado. Há também salário desemprego e outros direitos. Imigrantes ilegais que trabalham por hora provavelmente não tenham direitos. Vai depender do patrão. Mas geralmente quem trabalha duro e é honesto, muitas vezes é recompensado.

          "Se você receber em dinheiro terá que gastar em dinheiro porque tudo que entra em sua conta bancária (se tiver uma) precisa ser declarado e é cobrado imposto" Se a Sueli está falando de rendimentos, no Brasil é a mesma coisa. Qualquer rendimento tem que ser declarado e paga-se imposto por ele. Não importa se foi depositado em dinheiro ou em cheque, é preciso declarar. Agora se as pessoas fazem isso lá ou aqui, a história é bem diferente...


(continua em um próximo post)

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Reformando o Banheiro nos EUA



            Você deve se lembrar desse post aqui onde, pela primeira vez, eu me aventurei no DIY - Do It Yourself (Faça você mesmo) - reformando o banheiro da Louise que estava um nojo do chão ao teto. Naquele post eu prometi a mim mesmo que nunca mais faria algo parecido porque o trabalho mostrou-se incrivelmente difícil. Pois bem, eu quebro promessas de vez em quando. Acontece que o segundo banheiro da casa, o que eu e o Robert usamos, estava em situação parecida. Nos anos 80, os anteriores donos fizeram uma tentativa de reforma e colocaram um painel de vinil cinza com flores (imagina?). O trabalho porco e amador era evidente por todo o banheiro. Nos anos 90, segundo o Robert, depois que ele compraram a casa, muitos vazamentos foram observados até que em 2000 eles trocaram o telhado. No entanto os painéis que molhavam e secavam foram se deteriorando e em frente à pia do banheiro, eles descascaram e uma areia preta caía constantemente na louça branca que me deixava LOUCO!


Triste é a única palavra que eu consigo encontrar pra esse espelho
e essa luminária...


Me pergunta se eu aguentava essa areia saindo da parede?

            Faculdade terminada, eu aqui de bobeira esperando por entrevistas, acabei me convencendo que eu seria capaz de reformar esse banheiro também, afinal, não tem coisa melhor que tomar banho e usar um banheiro novinho em folhar, não acha? Poxa vida, pra quem tem toque de limpeza como eu, tomar banho tem que ser feito em um local prazeiroso, coisa que este banheiro não proporcionava. Geralmente aqui nos EUA, um banheiro pequeno como este, fica em torno de 5-8 mil dólares pra refomar com um empreiteiro, já incluídos o material. Acredite-me 5-8 mil dólares é dinheiro difícil de ganhar sendo assalariado nos EUA. Embora um banheiro como esse (5x7 pés) seja pequeno, dependendo dos materiais, pode-se gastar até 20 mil. O preço de um carro zero km. Como eu devo ter alguma doença que não me deixa ficar parado, resolvi propor ao Robert e Louise de reformar o banheiro se eles pagassem pelos materiais. O Robert disse: "You gonna get us in trouble" (você vai nos arrumar um problema) ao que eu respondi: "I got this!" (deixa comigo!). Infelizmente tenho que reconhecer que ele estava totalmente certo e eu, realmente nos coloquei em meio a um PROBLEMA.

Designer que sou, não vejo utilidade ter uma meia parede
em um banheiro de 1,5 por 2 metros. Parede retirada

Atrás dessa parede é o escuro chuveiro que não tem luz no teto

            Na minha "ideia" (de girico) eu iria tirar os painéis, o azuleijo, o piso e colocar tudo novo. Mal sabia eu que ao arrancar os painéis que estavam totalmente colados no Drywall, pedaços desse drywall, saíram junto e ficaram irreparáveis. Solução? O pior pesadelo, mas algo que pra ser feito corretamente não tinha saida: Arrancar todos os drywalls e começar o banheiro do zero. Você não tem idéia do trabalho. Foram 25 sacos de entulho pesadíssimos colocados do lado de fora da casa. Aqui, como no Brasil, pode-se alugar um pequeno container (é assim que se chama?) para o entulho, mas também fica caro. Descobri que tem um saco gigante que se compra na HomeDepot chamado que custa 30 dólares e você coloca na frente da casa, uma vez cheio, liga para a empresa que fabrica o saco e eles retiram sem cobrar nada. O preço do saco já está incluído a retirada.

Kabul?

Os filha da ....mãe colocaram os painéis sob o papel de parede!

Descobrimos uma porta que dá para o escritório!
Mas vai continuar fechada


Não dava mais pra recuperar esse drywall, teriam que ser
completamente retirados
            Dores por todos os lados é o que senti desde o primeiro dia. Dor nas mãos, nos braços, na cabeça, nas pernas, na coluna, nos pés, de estômago, etc. Afinal eu não tenho mais vinte anos não é? Mas agora que começamos temos que terminar. Posso dizer que aprendi muitas coisas com esse banheiro. O Youtube é fantástico e tem tudo o que você precisa em termos de tutorials pra fazer, praticamente qualquer coisa referente a DIY. O Robert coitado, resolveu ajudar, porque viu meu desespero. Então eu faço o que posso e sei e depois do trabalho ele continua.





            Ontem colocamos a Shower Pan, bem complicado de fazer. A Shower pan é uma peça de concreto que vai no box do chuveiro. Tem que fazer a massa e tudo. Eu encontrei no Youtube uma coisa chamada QuickPitch (fácil caída). Um acessório de plástico que ajuda a fazer com que o piso fique nivelado para a água escorrer pelo ralo. Tivemos que no final contratar um encanador para soldar os novos canos porque ficava o mesmo preço de comprar todos os aparelhos para fazermos nós mesmos. Ele cobrou 100 dólares e talvez venha amanha.

Despois de retirados os drywalls vê-se a antiga Shower Pan




Tudo limpo para a nova shower pan e o novo drywall

Nova shower pan, nova membrana e o quick pitch para dar o caimento no piso

Ontem à noite terminamos a shower pan. Sangue, suor e lágrimas


            Da próxima vez que eu postar, espero vir aqui com um banheiro novo. Não espetacular (como meus dotes de designer gostariam), mas modesto, limpo e de bom gosto. O esquema de cores serão branco e cinza, bem neutro. Eu mesmo colocarei o piso e os azuleijos e alguns detalhes arquitetônicos. Espera-se que o valor venal da casa suba 15-20 mil dólares depois que o banheiro for terminado. Se ficar bom!? God help me...
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