Como eu acredito que os leitores desse blog (se é que alguém ainda lê blogs) estão cansados de ler sobre design, decoração e reformas e também porque eu não encontro com facilidade temas sobre os EUA (afinal eu já escrevi 350 posts sobre o assunto), resolvi escrever sobre coisas que acho importantes. Em primeiro lugar porque gosto de escrever e também porque acho que pode ser de utilidade pública.
Antigamente eu aceitava qualquer convite que me era feito e comparecia. Mas chega uma certa idade que a gente já não faz algumas coisas que fazia e por certos motivos. O DNA (data de nascimento avançada) já não permite e em outros casos porque é um pé no saco mesmo, de qualquer um. O nosso físico já não reage à geografia como antes nem às intempéries. O frio causa dor, o sol queima a cabeça (como no meu caso), dá câncer de pele. O calor traz cançaço e por aí vai. Não que eu me considere velho, afinal 50 anos hoje é o 35 de antigamente, mas eu sei as minhas limitações e até onde vai a minha paciência. Por isso resolvi escrever esse post como um lembrete à mim mesmo das coisas que não faço mais. Porque não quero ou porque não posso.
N.1 - Acampar. Eu sou casado com um americano que já foi escoteiro nos EUA por muitos anos, até quando adulto. Acampar, fazer fogo no meio do mato, são coisas que ele sabe fazer e gosta muito. Qual a minha resposta quando ele me convidou para acampar com seus amigos? "Vá com Deus!" Quem em sã consciência vai deixar o conforto da sua casa para dormir no meio do mato, em uma tenda, fazer necessidades ao ar livre e comer enlatado requentado sentado no chão? Por favor né? Tirando os israelitas que acamparam por 40 anos quando saíram do Egito (eu teria durado 1 ano ou teria voltado à pé sozinho) e os refugiados da Síria quem é que encara uma coisa dessas? Pra mim não obrigado. Eu saio da minha casa para ficar em um lugar que tem cama, ar condicionado, uma mesa e uma cadeira para comer e um chuveiro para tomar banho. Se não for assim, não saio de casa.
N.2 - Formaturas. Quem tem que ir em formaturas são os pais, avós e irmãos. Como meus irmãos já estão formados e não tenho filhos, estou fora dessa. Ou como eu sempre digo "me inclui fora dessa". Tivemos que ir nesse final de semana à cidade de Abilene no Texas para a formatura da sobrinha do Alex. Foi uma tortura e por isso eu me inspirei a escrever este artigo. É lógico que foi bom conhecer o Texas, essas cidades que ainda conservam às ruas da época do velho oeste americano e tals, mas enfrentar uma multidão em um ginásio e ouvir os discursos de professores e alunos é uma tortura. Nunca mais! Aliás isso me lembra outra coisa.
N.3 - Eventos com multidão. Shows em parques, ginásios ou estádios, Brazilian Day, Dine and Wine do Epcot, não vou mais. As pessoas deveriam estudar as formigas para aprender a como se comportar no meio de 1000 de seus semelhantes. Ainda não sabem então não contem comigo. O que nos leva ao quarto ponto que tem motivos semelhantes:
N.4 - Parques temáticos. Meus hóspedes já sabem. Não vou, não levo, não busco, não quero ouvir a respeito. Para levar alguém à Disney, da minha casa leva uma hora só pra ir. Depois tem o engarrafamento perto do ponto de entrada e mais o mesmo tempo para voltar e tudo de novo para buscar. Venha com dinheiro para alugar um carro ou pegue um Uber. Em dez anos morando aqui já fui muitas vezes mas não pretendo ir mais. Talvez no Animal Kingdom para ver os animais uma última vez (primeira e última). Não dá. Ficar 1-3 horas em pé em uma fila esperando para entrar em uma atração que vai durar 3 minutos é matematicamente sair no prejuízo. E ainda tem que enfrentear a multidão que é o ítem 3. Pra quê eu vou sair do conforto da minha casa, da companhia dos meus amados cachorros, do ar condicionado para enfrentar uma multidão de 10 mil pessoas dentro de um parque temático?
N.5 - Sair com pessoas que sempre estão atrasadas. Atrasos acontecem, eu sei. Eu mesmo já me atrasei muitas vezes. Mas para alguns é um hábito e para o brasileiro especialmente, observo que é algo de pouco valor a pontualidade. Entre os americanos, por exemplo, um churrasco tem hora para começar e para terminar. É esperado de você que chegue um pouco depois do horário marcado e que vá embora antes do horário final. Os convites já vêm com horário do começo e do fim e eles são bem diretos (eu observo aqui em casa), quando deu a hora, o Alex fala aos seus convidados abertamente e para minha total surpresa: "Excelente, obrigado a todos por terem vindo mas está na hora de nós nos recolhermos". Eu achei que depois dessa esses amigos nunca mais apareceriam. Pelo contrário, todo mundo achou mais que normal. É ruim esperar por qualquer coisa ou por qualquer um e se eu percebo que é um hábito, já corto. Quem pretende chegar no horário, sai de casa com antecedência. Por educação e por respeito também ao tempo do outro que te espera.
N. 6 - Batizados, Chá de Bebês e festa de aniversário de criança. Eu gosto muito de crianças - educadas. Já fui professor por 13 anos e meus sobrinhos já são adultos. Não vou ter filhos nem tampouco netos. Portanto já cumpri a minha cota sem sequer receber 1 centavo de auxílio insalubridade. Os americanos ficam abismados com a produção dos aniversários de crianças brasileiras aqui em Orlando. Tem bufê, manobrista e algumas me disseram até animadores. Tem misericórdia! E olha que, às vezes, a criança até repetiu de ano e fala palavrão.
N.7 - Velórios e casamentos em outro estado ou país. Já fui várias vezes, hoje até meu pai já sabe. Eu vou visitá-lo enquanto ele estiver vivo. Quando ele falecer não vou. Vou fazer uma oração por ele e desejar que ele tenha ido para um lugar melhor, seja esse qual for. Com uma fração da passagem de avião, eu mando um bom presente de casamento.
N.8 - Lugares barulhentos onde não dá pra conversar. Restaurantes de Sports aqui em Orlando com 30 televisores no volume 50. Churrascaria na hora do pico. Bandeijão e o pior - Shopping Center! Me inclui fora dessa...
E por último - N.9 - Hospedar alguém por mais de 2 semanas. O bom hóspede é esperado quando chega e leva saudades quando vai embora. Mas nem sempre é assim. Quem hospeda tem que estar preparado. Quem vai se hospedar tem que ter ciência do distúrbio que vai causar. Por exemplo, o anfitrião tem que conversar, que preparar refeições, pôr a mesa todos os dias, limpar, aspirar, comunicar as regras da casa, esperar chegar no meio da noite e ser acordado, etc. Há muitos benefícios e eu adoro receber e hospedar, mas já percebi que após a segunda semana já se torna difícil. O ideal é ter alguém em casa por 1 semana ou no máximo por 10 dias. Assim não deteriora a relação de amizade e ambos se dispedem com aquele gostinho de "foi tão bom e passou tão rápido". Um mês? Você não vê a hora da pessoa sair da sua casa...é duro, mas é a realidade. Já vi amizades de décadas terminarem depois de uma visita de 1 mês.
Acredito que essas sejam as coisas principais. Coisa de velho? Pode ser, mas acredite e tenha certeza. Velho todos ficamos e menos pacientes com certas coisas. Se divertir com outros à fora, sujeito às intempéries às vezes é preterido por um bom filme em casa com bolo e café passado na hora. Nada mais gostoso que um jantar com amigos em um bom restaurante. A gente se despede e restaurante recolhe os pratos lava toda a louça suja.
Já me disseram que daqui pra frente só piora. Eu não tenho certeza, mas uma coisa eu sei. Fazer as coisas contrariado e engolir sapo o tempo todo dá câncer. Vive mais quem se aborrece menos e as coisas simples dão mais felicidade. Complicação (de qualquer coisa) encurta a vida da gente. O importante é que façamos sempre o que gostamos e algumas vezes o que toleramos por amor aos outros, mas sempre respeitando nossos limites. E você já fez uma lista das coisas que não faz mais? Compartilhe com a gente, eu ia adorar saber! Abração


































