Três anos e meio e eu posso dizer
que sou uma pessoa diferente. Melhor? Hum, não sei não, mas a verdade é que
morar em um outro país muda a pessoa, sabe? "Mexe com o psicológico", como diria
uma amiga muito engaçada. Mas, você deve estar se perguntando, o que ele
aprendeu com os americanos? Coisas boas e ruins, é claro que as ruins, eu não
pratico ou tento não praticar, porque afinal, gente inteligente aprende dos
erros dos outros, não acha? Citando a "Dona Lira" mãe de um
amigo meu, nordestina sábia: "Quem não ouve conselho, ouve
coitado..." ou a melhor "quem anda com porco, come farelo" (eu
diria que come outra coisa...). Chega de blá blá blá...
1- Aprendi não ligar para a opinião
dos outros com respeito à vestimenta.
Se não for para entrevista de emprego
ou mesmo emprego, eu me visto da maneira mais confortável. Trabalhando em casa
o dia inteiro de pijamas, se tiver que ir no posto de gasolina, eu vou com
eles, e olha...ninguém olha torto, nem sequer olham pra você. Americano é assim
(acho que a maioria?), está pouco preocupado com a moda ou com opinião
alheia...o que importa é o conforto. A América Latina é muito preocupada com a aparência...

2- Carro não é sinônimo de status.
Ter um Jetta 2.5 aqui não me faz
melhor do que ninguém. Na verdade, mesmo uma BMW não dá muito status para uma
pessoa. Eu conheço pobre que tem. Percebe-se a grande desimportância que os americanos dão para
automóveis, pelo preço que estão dispostos a pagar por eles. Enquanto no Brasil
a gente se mata pra andar com roupa de marca e paga 1500-2000-3000 na prestação
do carro, aqui uma prestação de 500 dólares é algo inconcebível ou prestação "alta". É como pagar
10 reais em um único cotonete.
3- Aprendi a ser mais educado. (mais ainda? ;-))
Eu sei que não justifica, mas
a verdade tem que ser dita. No Brasil, acabamos sendo levados pela maioria mau
educada. Por exemplo, ao chegar no aeroporto de SP fiquei espantado com a
quantidade de pessoas cortando a minha frente, furando fila, esbarrando em você
e nem aí. Será que eu era assim também? O caso é que fui chamado à atenção
algumas vezes aqui (sniffff!). Portanto, hoje não corto a frente de ninguém,
peço licença, digo obrigado, por favor, bom dia, tenha um bom dia em 100% das
vezes. Abro a porta para qualquer um e quando abrem pra mim, agradeço. Ao abrir
a porta, deixo quem está vindo entrar primeiro e depois eu saio. Espero quem
está saindo e depois entro e believe me, é o que a maioria aqui faz.

4- Aprendi a respeitar, sem questionar,
as leis de trânsito.
Em SP, algumas situações fazem a
gente burlar algumas leis, que vergonha... Aqui, aprendi a respeitar as leis de
trânsito e limites de velocidade, principalmente. Um dia o Robert perguntou: No
Brasil não tem sinal de Pare? O que vocês fazem no sinal de Pare? E a minha
cara? Embora os americanos reclamem do trânsito de Orlando, believe me, está
anos luz à frente na civilização do que trânsito caótico, horrível de SP e Rio...
5- Aprendi a amar os animais
incondicionalmente.
Eu ouvi uma brasileira dizer em 1995
quando estava em Boston estudando inglês: "Aqui é assim, em primeiro lugar
o animal. Só os animais tem direitos e nenhum dever. Depois as crianças, depois
a mulher e por último, o homem". Realmente, existem muitas leis que
defendem os animais aqui. Por exemplo, na Flórida, cães não podem ser deixados em
correntes (ou coleiras) ou no quintal sozinhos por mais de 2 horas. Viu? É só
denunciar...
Quer fazer um americano
chorar? Conte uma história triste sobre um animal. Nova Iorque é a cidade com
mais cães por pessoa do mundo sabia?

6- Não importa sua idade, sabe fazer?
Isso é o que importa.
É proibido por lei nos EUA perguntar
em uma entrevista de emprego qual a idade do candidato. Nos curriculos, data de
nascimento não é colocada. Vê-se muita gente de idade (e eu digo I-DA-DE..70-80
anos!) trabalhando. Eu vi uma senhora de uns 70 anos dirigindo um ônibus
escolar. Fiquei alí no farol, de queixo caído, olhando enquanto ela passava.
7- Aprendi a pesquisar as leis.
Enquanto há alguns que dizem que os
americanos são alienados (me desculpe, qualquer generalização, para mim, tem
origem na ignorância - nos dois sentidos da palavra), uma coisa posso dizer, eles
conhecem muito bem suas próprias leis. Nós brasileiros não conhecemos, eles
conhecem, sabem perfeitamente o que é permitido e o que não é (claro, com
exceções). Na faculdade de design, aprendi que um empreiteiro americano precisa fazer prova para receber a licença para trabalhar, saber as leis e ter seguro. Gambiarras acontecem, com
menos intensidade, felizmente.
8- Fazer as coisas você mesmo (DIY Do It Yourself!).
Em geral, o próprio americano corta
sua grama, pinta sua casa, conserta suas coisas, cuida do jardim, limpa sua
casa e cozin..............compra comida fora. Bom, esse é para a segunda
parte...me aguarde. Eu entrei também nessas do "do it yourself" e me
dei mal. As coisas não são tão fáceis como parecem. Você não imagina o peso que
tem uma pá, depois de alguns minutos, não descobriram ainda, mas o peso aumenta, é fato. Mas, pagar pra alguém fazer, só em último caso.

9- Aprendi o valor das coisas. E
aprendi a não pagar pelo o que não vale!
Não importa se é Hollister,
Abercrombie o raio que o parta, custa caro? Uma parcela ínfima da população
compra. Uma calça Levis em SP (que as Patys torcem o nariz) pode custar 300
reais. Vi com esses olhos que a terra não há de comer. Aqui, se custar 50 já
fica lá encostada. 100 dólares em um tênis? Já ouvi "Você perdeu o
juízo?". A verdade é que assim que cheguei me danei pro shopping e comprei
um moooonte de coisas. Hoje, esqueci os preços do Brasil, então tenho um outro
parâmetro para avaliar o quanto vale certa coisa.
10- Aprendi que a culinária americano
não é composta só de Hamburguer e comida de lata.
Eu tenho até vergonha de admitir que
já disse essa frase. No entanto, eu repeti a frase que, com certeza, escutei de
alguém que tinha como modelo. A cultura esquerdista-anti-americana no Brasil
fala um monte de bobagem dos EUA que eu só descobri depois que vim morar aqui.
Por exemplo, escutei de uma pessoa estudada, lida: "Nos EUA só tem
escola particular, é tudo particular!". Aff...sem comentários.
Aprendi a fazer, e essa
tornou-se a minha sobremesa predileta, a amada dos americanos, a American Pie.
Para quem quer conhecer um pouco mais da rica culinária americana, veja o blogda Cinara, dedicado a receitas exclusivamente americanas. E não me venha
comentar que a culinária só é assim por causa da Irlanda e Inglaterra porque no
Brasil é a MESMA COISA. Veio dos portugueses, italianos, etc. Eu tô sem paciência
com gente mal educada hein?
(kkkkkkkkkkkkk)

Como
eu não consigo pensar em nada mais vamos às coisas que eu aprendi com os
americanos e que não deve-se repetir:
1- Aprendi a não comer porcaria.
O paraíso de gente preguiçosa é aqui.
Dá pra se passar anos sem ligar o fogão. Com um sanduíche no McDonald's
custando 1 dólar, e uma pessoa com uma renca de filhos, dá pra alimentar a 10
pessoas com 10 dólares (se bem que, do jeito que comem, multiplique por 3). Na terra do "tudo pronto" e do "medo de ser
processado", os engenheiros químicos ficaram milionários inventando mil e um
produtos para inserir nesses pratos prontos. Quer um exemplo? Meu muffim de
maçãs (porque usa mais de uma ok?) estraga em 10 dias. O Muffim que a Louise
compra no supermercado dura 60 dias intacto, lindo, perfumado, brilhante e
saboroso. Sai pra lá... O que eles comem de porcaria dentro de casa não está
escrito nos gibis...

2- Não é porque é large que é melhor.
Com essa mentalidade de ganhar sempre
no custo/benefício (e isso foi muito bem explicado no filme Supersize-me), eles
tentam obter o mais, o maior, pelo menor valor que se puder pagar. Como eu dizia no
Brasil, a Cokinha pequena que vende aí faz menos mal que a de 350ml, sabe
porque? Porque você bebe menos Coca-cola! Nessa onda do large, eles bebem um litro
de Coca-cola ou pepsi em uma única refeição! Complementando: Se é large, provavelmente mais mal faz!
3- Cuidar do meu peso.
Um dia eu sentado na frente da Ross,
esperando pra abrir, notei que entre as 17 pessoas que estavam alí comigo, eu
era o único que não era OBESO. Triste constatação, 16 pessoas obesas e eu digo
o-be-sas...alí. Com 1/3 da população obesa, é claro que eu luto diariamente pra
não entrar nessa estatística.

4- Aprendi a evitar o disperdício.
Sério, o que se disperdiça de coisas
aqui não é mole. Duas vezes por semana a quantidade de lixo que saem das casas
é inacreditável. Há quem seja consciente, mas pelo menos aqui em casa é assim:
Está calor? Liga o ar condicionado. Enquanto que um simples abrir de janelas
daria conta. Está com frio, liga o aquecedor, enquanto uma leve blusa e calças compridas fariam o mesmo efeito. Lógico que nos dias de 40 graus de calor do lado de fora, é
insuportável e o bendito ar, nos traz conforto, mas na primavera e outono, não
precisaria. A mesma coisa com o aquecedor. Quem merece ficar de casaco, gorro e luvas dentro de casa no Brasil? Quando estamos abaixo de zero, claro o aquecedor deveria ser ligado.
Quebrou? Compra outro! Assim, com a maior facilidade.
Principalmente porque a água, a eletricidade e muitas outras coisas são baratas, há muito
disperdício.
5- Aprendi a ser mais leve, não me
preocupar tanto com as regras.
Talvez seja contraditório o que eu
acabei de escrever, mas a verdade é que até um certo limite as regras são boas
e a sociedade se organiza muito bem. Mas existe um seguir ao pé-da-letra aqui
que às vezes me cansa. Outro dia tive que dizer ao meu professor que disse que
estávamos proibidos de sair da classe antes das 11 da noite: "Olha, eu sou
adulto, mais velho que você e posso sair se eu quiser, não acha? Ninguém pode
me proibir de sair se eu quiser..." Ao que ele sorriu e disse: "Você
tem razão, somos adultos, essa regra é pra escola fundamental".
6- Aprendi que sair de casa e me
exercitar é fundamental.
Eu devo ter sido um bicho preguiça em
outra vida (se eu acreditasse nisso). Não me leve a mal, eu levanto super cedo
todos os dias, arrumo a casa, limpo, cozinho, cuido dos meus cachorros, cuido
do jardim, da piscina, do carro, faço compras, trabalho (sim eu trabalho, em
casa), faço os projetos da faculdade, escrevo o blog, respondo emails, e mais
uma lista de coisas. Mas, me pede para ir para academia ou fazer caminhada. Eu
me arrasto. Já me matriculei e cancelei a matrícula 3 vezes em 3 anos. Mas
continuo me cutucando pra tanto. Já "os outros" passam o dia IN-TEI-RO
(sábado e domingo inteiro) na frente da televisão! Eu quero morrer com isso!
8- Aprendi a não ser consumista.
Preciso dizer alguma coisa?? ;-)