quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sub Emprego nos EUA é Para Você?

          Como a grande maioria sabe eu moro em Orlando há aproximadamente 8 anos. Em 2009 tirei meu visto de estudante em vim cursar Arquitetura de Interiores ou Design de Interiores em uma faculdade americana. Desde o começo, mesmo já tendo 80% do dinheiro do curso inteiro, sabia que algum tipo de "sub emprego" me aguardava. No Brasil nosso emprego está muito aliado ao status. O meu pensamento na época, e também de alguns colegas de profissão e pais de alunos era: "Você vai deixar seu bom emprego aqui para trabalhar em sub emprego nos EUA? Você é louco?" Confesso que isso me assutava um pouco, mas sempre tive bem em mente que seria temporário. Que depois de um tempo eu arrumaria um emprego "na área" de estudo e tudo ficaria bem (e o que é ficar tudo bem?). Mas e o bom emprego no Brasil? Era certa a decisão em deixá-lo? Ou mesmo deixar tudo para trás para ir tentar a vida em outro país?

            Em primeiro lugar deixa eu explicar por que estou escrevendo este post. Eu gosto muito de ler. Não tenho paciência para ler um livro inteiro, mas blogs, artigos, jornais e revistas eu leio diariamente. Leio também todos os comentários de pessoas pois gosto muito de ver a opinião geral da população sobre certo assunto. Me intriga e até mesmo revolta (depois que tive minha mente "lavada" aqui nos EUA) ouvir essa expressão "sub emprego". O que é um "sub emprego"? Algo sujo, que ninguém quer fazer? Algo braçal? Algo que só os que não tiveram a sorte de nascer da classe média pra cima tem a opção de fazer? 

            Eu acho que a minha definição de sub emprego seria um trabalho que não precisa-se ter um curso ou diploma para exercer. Será então que quem tem um diploma de curso técnico e não bacharel tem então um "sub diploma"? Dá pra pensar não é? Porque nós brasileiros desvalorizamos tanto qualquer tipo de profissão que não se exige um bacharel e até mesmo profissões que precisam de um bacharel como "turismo" ou mesmo "relações públicas"? Porque o brasileiro sentiria vergonha de dizer que trabalha em um supermercado, restaurante, lavanderia, etc? Um brasileiro que trabalha em um quiosque no shopping relatou que sentiu vergonha quando amigos do Brasil viram ele trabalhando alí, mas, por quê? Porque ele pensa como a sociedade brasileira que não vê com bons olhos tais posições.

Não é incomum ouvir de pessoas em empregos de "status" relatarem
o quão infelizes elas são
           Uma coisa que aprendi por observação nos EUA é que não importa que tipo de trabalho você diz que exerce, as pessoas não demostram espanto se está na categoria "sub emprego". Uma vez em uma roda de colegas da faculdade, um ex-engenheiro disse que estava limpando casas para pagar a faculdade. Ninguém se espantou a não ser eu (??). Daí eu percebi que havia em mim um certo preconceito com respeito a isso. Da mesma maneira quando vi um homem de salto alto ir pegar a sua prova na mesa do professor e ninguém deu bola, só eu (??). Eu percebi que minha mente tinha sido formatada nos padrões da nossa sociedade brasileira, desde pequenino, quando minha mãe dizia "estude senão você vai virar lixeiro". 

Lixeiro eu?
         Logo depois disso, no supermercado Publix de Orlando, eu vi uma senhora trabalhando toda sorridente no caixa e ela me disse que eu seria seu último cliente pois era fim do seu expediente. Conversando rapidamente com ela, a senhora me disse que morava bem perto da minha casa. Pois bem, saímos juntos e imagine a minha cara quando vi ela apertar o controle remoto da chave do seu carro, uma BMW X5 preta, um luxo! Saímos inclusive juntos do estacionamento e o caminho dela era igual ao meu. Mas de repente, quando a casa mais bonita da rua apareceu, foi alí que ela estacionou e abriu a porta automática da garagem com controle remoto. Não saía da minha mente a pergunta: "Porque ela trabalha no supermercado"?

        No Brasil me formei em Tecnologia em Construção Civil e trabalhei em uma construtora com Status de "engenheiro" responsável por várias obras em São Paulo e em cidades até 100km de distância. Eu tinha o carro da empresa, combustível, comida, hotel, etc tudo pago pela construtora, mas eu ODIAVA meu emprego. Durei 18 meses nesta construtora. Passei rapidamente pela ilusão que trabalhar no Banco do Brasil, após passar no difícil concurso, me faria ter uma vida maravilhosa. Meu salário no banco, para executar tarefas complicadas, vestido em roupas sociais e comendo de marmitas, era de RS$ 745,00 brutos, o que me sobrava um pouco mais de 500 reais líquidos. Mas eu ia e voltava de carro, bem vestido, com meu crachá do BB - que quando as pessoas viam diziam "tem que ser inteligente pra trabalhar lá. Ele deve ganhar uma nota!" - o tal do status... Depois de dois anos e sem chances nenhuma de promoção, fui trabalhar em um escritório na Av Paulista, chique no último, em consultoria financeira. Tinha minha própria sala, com banheiro, chá de amoras servido pela copeira e vaga na garagem do prédio. Ganhava também o triplo do salário do banco mas nunca me senti tão infeliz, preso 8 horas por dia naquela sala sem ver a cara de ninguém. Saí de lá para ser professor de matemática o que foi um dos melhores empregos que já tive na vida. No entanto a vida de São Paulo, o crime, o custo de vida, o trânsito, a poluição, o stress e o governo, após 8 anos, sugaram minha saúde e energias, comecei a ficar constantemente doente. Algo estava errado e eu queria mudar drasticamente a minha vida.

Queridos colegas de trabalho e salário de 745 reais mensais brutos

          É claro que, mesmo antes da faculdade acabar, meu dinheiro já tinha ido pelo ralo e lá fui eu trabalhar em "sub empregos". Trabalhei de pintor, "tirador" de papel de paredes, motorista, faxineiro, babá, carregador, etc. Mas acordava às 7:30 (e não às 5:30 por causa do trânsito ou do rodízio), em 10 minutos estava em meu trabalho, sem trânsito, sem poluição, sem estress e principalmente sem MEDO. Ia à faculdade às vezes à tarde, às vezes de manhã e às vezes à noite. Dirigia meu Jetta (que eu paguei 12 mil) pelas ruas arborizadas e ia lá efetuar meu "sub emprego" que eu recebia em torno de 3 mil dólares mensais, às vezes mais. Um dia lembrei de como eu ia com meu Gol 1993, vestido social, com sapato lustrado para o Banco do Brasil, trabalhar em uma linda agência Internacional por 8-9 horas por dia (sem direito a horas extras) para ganhar meus 500 reais líquidos. Ainda recebia um ticket-refeição que eu vendia para complementar a renda. Agora me diga: Qual na verdade era o SUB EMPREGO? A sub-vida? Definitivamente a que eu levava no Brasil. 

Meu caminho para o trabalho todos os dias
          Já viu a roupa do dia a dia de um pintor? A roupa é pintada, literalmente. Eu entrava em condomínios e prédios de luxo em Orlando para pintar um apartamento por 2 mil dólares e a pessoa da recepção me recebia da mesma maneira que o vendedor de seguros que estava de paletó e gravata. No elevador, que é o mesmo para quem quer que seja, os moradores olhavam pra mim, sorriam e diziam "bom trabalho! Deixe seu contato na recepção, talvez queiramos pintar o nosso apartamento também". Às vezes eu pintava 3 por mês e pagava 4 mensalidades da faculdade adiantado + as minhas despesas. Ninguém me olhava diferente porque eu estava "vestido" de pintor. Anos depois eu fui a este mesmo prédio, muito bem vestido, com minha proposta de re-design do lobby inteiro. E fui atendido na recepção, da mesma maneira quando chegava la em roupas sujas de tintas. Ganhei a concorrência, peguei o trabalho e alguns moradores do prédio até me reconheceram. E o tratamento também foi igual. Foi aí que me dei conta mais uma vez: Eles pensam diferente da gente. Fiquei com vergonha da minha antiga maneira de pensar.

            Acima de tudo, essa minha vida de sub-emprego melhorou a minha saúde. Não tinha mais stress, portanto dormia à noite. Não respirava mais poluição - sarei da asma e da bronquite. Não tinha mais medo então olhava mais para a natureza e para as pessoas. Não pegava mais trânsito então tinha mais tempo livre para mim. O trabalho era braçal então meu condicionamento físico também melhorou. Nunca mais fiquei doente. Foi isso que meu sub emprego me proporcionou.

            Por isso hoje, quando ouço as pessoas dizerem "você vai lavar privada nos EUA" eu fico com pena, pois tais não sabem do que estão falando e quão feio e preconceituoso isso soa à pessoas que já passaram dessa fase. Depois de formado, claro fui procurar emprego em grandes empresas de Design e Arquitetura de Orlando. Já imaginou? Ser Designer em uma empresa dessas nos EUA? No entanto o salário de 26,000 dólares anuais (20 mil líquidos) fez-me pensar que era melhor voltar a pintar paredes e ter a minha liberdade pra eu fazer o que eu bem entender do meu nariz.

           E foi isso que eu fiz até que os projetos particulares começaram a surgir, aumentaram e abri a minha própria empresa de Design de Interiores em Orlando. Depois comecei a trabalhar como corretor que eu também adoro e hoje desempenho as duas funções. Talvez hoje minhas duas funções sejam motivo de admiração para tais que sonham vir aos EUA, mas a maioria jamais limparia uma privada. Amigo(a), eu perdi a conta de quantas privadas eu limpei e de quantas paredes eu pintei. E me orgulho pois foram elas que me ajudaram a estar aonde eu estou.

          E para finalizar, seu eu tivesse que trabalhar em algo que não é exigido diploma (não mais falarei sub-emprego), eu voltaria com prazer. Posso dizer com toda certeza que qualquer trabalho, seja qual ele for, se bem feito, dá prazer. E se, alguém quer chegar mais adiante, que nem olhe para aquilo no momento, pois tem que ter os olhos fixos à frente. Coisas materiais e status podem ser perdidos da noite para o dia. A única coisa que não podemos perder são as lições e eu aprendi a minha: Não existe sub-emprego...

Arrancando papéis de paredes
Contato para aquisição de casa em Orlando ou para Reformas e Design: rs_alves@hotmail.com

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Reforma e Decoração de um Apto no Reunion

            O Marcelo e a Mônica, clientes queridos, adquiriram uma casa no condomínio Reunion e contrataram a Studio R (ou seja, eu) para fazer o design e decoração da casa deles de 5 suites e que não é para locação e sim para férias da família. Você pode ver o post que eu descrevi a experiência aqui. Eles gostaram tanto da experiência, e após ver os resultados com a locação do apartamento do Henrique e Patrícia (aqui está o post da reforma do apartamento deles), resolveram adquirir também um apartamento para locação de temporada no mesmo condomínio, a saber o Reunion. 

           Logicamente me chamaram também para a empreitada de reformar o apartamento e decorar no padrão Studio R. No caso do apartamento que eles adquiriram, o mesmo já estava sem mobília o que facilitou bastante o processo. Saiba que, ao adquirir um imóvel de revenda (que provavelmente já não estava mais dando lucro) é preciso jogar fora ou doar 80-90% da mobília, senão tudo o que há no imóvel. Engana-se quem acha que ao adquirir um imóvel que não dá mais lucro, somente porque trocou de proprietário, o imóvel passará a render dividendos aos novos donos. 

       Quem olha para os imóveis pela internet quer o melhor que puder achar, no melhor preço, no melhor condomínio. Embora não haja imóveis suficientes para dar conta de tantos turistas em Orlando e região (ano passado 66 milhões!), a competição é grande e os melhores imóveis são os primeiros a serem alugados. Um excelente imóvel, bem decorado, aluga até mesmo na baixa temporada. Aqui vai um conselho de quem conhece e sabe do que está falando: Não adianta adquirir um imóvel de 450 mil dólares e depois querer gastar 30 mil com a decoração. É um tiro no pé! Uma decoração top fica entre 15 e 20% do valor do imóvel. Dá pra fazer com 10% mas os resultados não são os melhores. Como eu disse a uma cliente que queria dizer "UAU!!" no momento que entrasse em sua residência, UAU custa dinheiro. 

        Eu trabalho com qualquer orçamento que o cliente prover. Eu entendo a alta do dólar e o fato de que depois de tudo pago e a entrega das chaves é feita, pouco sobra para a decoração. Infelizmente pois a decoração é um dos pontos mais importantes quando a expectativa é que o imóvel gere dividendos e pague, na maioria dos casos, a despesa do imóvel e o financiamento adquirido. Mas faço o melhor possível dentro do orçamento que o cliente me passa. 

          Sem mais, deixo aqui algumas fotos do processo e do resultado final. Um abraço a todos!

Se quiser adquirir um imóvel em Orlando e região entre em contato pelo email rs_alves@hotmail.com

Se quiser reformar ou decorar seu imóvel entre em contato pelo email studiorinteriordesign@gmail.com

Instagram: renato_s_alves


Pra mim essa é a pior parte. A parte da bagunça e da sujeira.

Nem adiantava cobrir pois essa luminária ia para o LIXO!





Eu e os clientes optamos por um cinza um pouco mais frio para
combinar com a decoração que tínhamos em mente

Alguns detalhes de design como divisão das paredes com
moldura dão um ar mais sofisticado aos ambientes


Pisos laminados são a melhor opção para casas de locação. São
"inrriscáveis" (unscratchable) e duram décadas. Além de bonitos e
fáceis de manter.

Alguns clientes me dizem: "Que delícia ir às compras com o dinheiro dos outros"
Em primeiro lugar eu tomo o máximo de cuidado com o dinheiro dos "outros"
como se fosse meu. Em segundo lugar, em um único projeto, vamos em torno de
50 vezes a lojas. Multiplique isso por 26 casas que já fizemos.
Não é tão "delícia" assim, é trabalho mesmo. Mas como dizem "quem faz
o que gosta não trabalha nem um dia sequer"
Agora as fotos profissionais do imóvel decorado:

























O dia da primeira visita e 3 semanas depois

- Valor de aquisição da propriedade: USD 225,000.00
(3 suites, sala de estar, jantar, cozinha, lavanderia e varanda)

- Valor total de reforma e decoração: USD   51,920.40
(já incluída comissão Studio R 20% sobre gastos)

- Valor total investido: USD 276,920.00

- Valor atual do imóvel: USD 310,000.00

O imóvel está disponível para locação no site abaixo:
O link será colocado em breve


domingo, 1 de maio de 2016

"Americano Só Come Enlatados"

          Eu já não sei quantas vezes eu ouvi esta frase. Até aqui eu já ouvi brasileiros dizerem isso. A verdade é que há sim uma grande facilidade em se encontrar comida pronta de todos os tipos e há americanos que não cozinham. Mesmo porque se vê nos supermercados muita comida pronta. Há massa de torta pronta e recheio pronto também. É só montar em 5 minutos e você tem uma torta americana com gosto de produto químico (ou gosto de remédio/xarope). E tem gente sim que faz isso, mas até aí dizer que americano não cozinha e eles só comem enlatados é uma verdadeira ignorância. 

          Em primeiro lugar se assim fosse, a Food Network já estaria falida há muito tempo. Porque pessoas perderiam tempo assistindo programas que ensinam cozinhar se todos só comem hamburgueres, McDonald's e enlatados? Por que nas livrarias há seção só de livros de culinárias? Por que nos supermercados há corredores de ingredientes, temperos, etc? Pelo menos, contraditório. 

            A verdade é que o americano adora uma praticidade, mas não significa que é ignorante e não sabe o que é bom. Em quase toda casa há alguém que se interessa por culinária e na escola americana, tem aula de culinária no Ensino Médio. Outra prova disso é o Fresh Market que tive o grande prazer de conhecer hoje. Um lugar fantástico que todos que vem a Orlando deviam visitar. Esse lugar também é prova de que nos EUA existe sim culinária, pessoas que gostam de cozinhar, excelentes receitas, comidas frescas e artigos de altíssima qualidade. Deixo vocês com as fotos do Fresh Market! Clique no link e encontre o mais perto de você. Esse que visitei fica em Dr. Phillips, um dos melhores bairros da cidade. 
















Pão de azeitonas pretas!!!











Essa garrafa de Chanpagne custa 299. Só de curiosidade fui ver quanto
custa no Brasil RS 1.500,00. A rosa no Brasil custa 7 mil?!

Pode se escolher o café e moer na hora






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...