sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Oito anos depois...

          Outro dia eu completei 8 anos de EUA. Oito anos que eu saí do Brasil com a minha vida inteira em 3 malas para tentar a vida em outro país. Claro que se tratando de EUA a mudança não parece ser tão radical por motivos simples. Em primeiro lugar nós brasileiros conhecemos bem a cultura americana (ou achamos que conhecemos), aprendemos inglês na escola (ou pensávamos que aprendemos), assistimos aos filmes de Hollywood, ouvimos a Madonna, a Mariah, o Frank Sinatra e achamos que o resto vem fácil com adaptação, já que nós temos uma coisa na nossa cultura que nos faz versáteis, ou seja, nosso jogo de cintura e capacidade de nos adaptar a situações diversas. 

           Por isso, desde o começo do ano, fiquei pensando na minha trajetória até aqui que muitos consideram de tremendo sucesso, mas não sabem os buracos e montanhas que se encontram no caminho. Não tenho o que reclamar, ainda visto a situação do nosso querido Brasil. Nunca me arrependi, mas mudei da água para o vinho. É inevitável uma mudança. Aqueles que não conseguem mudar, voltam ao Brasil decepcionados e talvez rancorosos com os americanos e brasileiros que encontraram por aqui. A verdade é que tudo é muito difícil e vou explicar o por quê. 

           Uma coisa que aprendi nesse tempo que estou aqui é que nunca se deve desperdiçar a oportunidade de ver as pessoas que se ama. Não importa o quão complicada e corrida a vida seja. É preciso arrumar o tempo e o dinheiro. Diga eu, que em 6 anos só vi minha mãe 2 vezes e agora nunca mais poderei falar com ela pois ela faleceu e eu estava aqui, atarefado, atolado em trabalho, tentando arrumar um jeito de melhorar a vida para poder também, trazê-la para cá. Fui traído pelo destino, pelo imprevisto, pela inexperiência. Hoje, sempre que puder, verei as pessoas amadas e falarei a elas o quanto eu as amo, pois um dia pode ser tarde demais. 

             Quando se deixa o país onde se vive, não se deixa somente a família, os amigos, o emprego, a casa, a cidade, os colegas etc. Uma parte de você morre e você nunca mais vai conseguir recuperá-la, pois tudo aquilo que fazia de você quem você era, mudou e mesmo que volte ao país, aquelas coisas que tinha não terá mais. É uma saudade de um tempo que não vai voltar. É uma saudade de quando você vivia lá e era feliz e não se importava com o crime, com a violência, com a alta dos preços e com a poluição. Você saía com amigos, fazia muitos outros, fazia muitas coisas, com pouco dinheiro e se divertia. Coisas simples como uma pizza na casa do vizinho e um filme de video cassete era algo maravilhoso. E se o amigo fosse embora, no outro dia podia-se fazer outros inúmeros amigos pois as regras das relações humanas estavam já dentro de você. Aqui é diferente. 

            Em primeiro lugar os americanos são um povo reservado. Seus amigos são seus familiares e aqueles que eram amigos de infância ou aqueles que fizeram na escola ou na faculdade. Depois é muito difícil desenvolver relações achegadas com outras pessoas. Todo mundo é muito educado, prestativo, mas há uma linha que você não deve ultrapassar. Em 8 anos, converso com meus vizinhos afinal morei aqui na casa de americanos e depois que eles se foram eu comprei a casa deles. Mas nunca fui convidado para se quer entrar para tomar um café na casa do vizinho. Por mais simpático que eu seja, não é rudez deles, é simplesmente o jeito que eles vivem. 

            E depois de tantos anos também não conseguiria mais viver no Brasil pois não me adaptaria à loucura em que vivia anteriormente. Aqui a vida passa mais devagar. Às seis horas da tarde as pessoas já estão em casa e passam o tempo com a família. Os finais de semana são longos e muitas lojas não abrem aos domingos. Muitos supermercados fecham às nove horas da noite. O tempo custa dinheiro e o tempo pessoal é muito valorizado. 

           Pode parecer que eu esteja reclamando mais não estou não. É somente uma outra realidade completamente diferente daquela que se vive no Brasil e tem seus lados bons e ruins. Há coisas que não funcionam, cometem-se erros em todos os setores da sociedade, mas há um certo respeito e medo das autoridades e a maioria das pessoas cumpre a lei e respeita o próximo. 

            A vida é confortável. Tem-se ar condicionado e aquecimento. Os carros custam barato e o combustível também. O dinheiro dá bem para comprar as coisas que se precisa e trabalhando-se bastante até sobra. Há um certo ar de querer ser o melhor em tudo. O melhor biscoito, o melhor detergente de lavar roupas, o melhor tênis, o melhor tudo. E nessa guerra de quem é o melhor e mais barato quem ganha somos nós, sempre. E se reclamar de alguma coisa, é ouvido todas as vezes e atitudes são tomadas para que você fique contente. 

              Colocando na balança, foi a decisão certa para mim. Eu sempre quis ter uma experiência de viver no exterior e só não digo que nunca voltarei ao Brasil porque tenho medo de que, quando se fala isso, se pague com a língua. Eu não tenho certeza se o fato de eu achar que o Brasil tem a melhor comida do mundo é o fato de eu ter crecido comendo aquelas coisas e também com respeito a muitos outros pontos que eu acho positivo com respeito ao nosso país e nossa gente. É claro que vejo os defeitos também pois os defeitos do nosso país e da nossa gente deixam marcas e cicatrizes em qualquer brasileiro. Mas tem-se esse amor por aquilo que te criou, onde você nasceu, pelas pessoas que falam a mesma língua que você. 

            Eu nunca serei americano. Eu nunca vou chorar quando a bandeira americana é asteada e canta-se o hino do país. Não me vem essa sensação. Acho que nunca vou sentir que esse é o meu país, pois a gente sai do Brasil mas o Brasil não sai da gente e não deve sair mesmo. Há estudos que mostram que alguns livros só tocam o coração na língua materna. Somente a língua materna pode te dar certas sensações e por mais que você queira, rir mesmo com vontade até chorar, só vai ser de piadas e situações referentes àquilo que você conhece pois tem um mundo de contexto inserido nisso. Por esse motivo muitos seriados de comédia americanos não fazem o menor sentido e não se consegue segurar o riso quando se assiste o Agostinho de A Grande família ou ao filme O Alto da Compadecida. Como explicar a um americano o sotaque e a forma diferente de o Nordestino se expressar e pronunciar algumas palavras erradas que é tão engraçado, bonito e inocente? Como é que ele um dia verá a beleza disso? Por isso o casamento entre pessoas de nações diferentes é um grande desafio...

             Em nenhum momento até hoje me arrependi de vir morar em outro país. Sinto sim falta das coisas do Brasil. Nem sei quem canta lá mais, os atores, atrizes, músicas, novelas, comédias, etc porque nem tenho TV brasileira. Já fiz outros amigos (muitos amigos, perto e longe), mantenho perto os que ainda cultivam a nossa amizade, aperfeiçoei o paladar, a leitura, os costumes, a rotina. Mas sempre terei saudades do Brasil e se puder, quero visitar mais vezes e conhecer coisas que não conheci quando vivia lá. A melhor coisa no momento é não ter certeza de nada. Não ter nada escrito na pedra e nenhum plano estabelecido para um longo prazo. Deixar a vida me levar, assim como disse o cantor. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Comunidade Brasileira de Orlando

   


           Segundo a prefeitura da cidade de Orlando, a comunidade brasileira na cidade conta com aproximadamente 30 mil brasileiros. Pessoalmente acredito que este número seja muito maior, senão o dobro pois não sei se a prefeitura conta também os indocumentados. Há brasileiros de todos os tipos, assim como se vê no Brasil. Há boas pessoas, trabalhadoras, confiáveis que podem se tornar verdadeiros amigos. Há também pessoas que é melhor manter muita distância.

             Poderíamos dividir a comunidade brasileira em Orlando em 2 grupos distintos: Os que estão legalmente no país, mesmo que com visto de estudante e os indocumentados ou chamados de "sem status", ilegais. Porém de nada adianta dividir a comunidade assim pois há ilegais que são pessoas boníssimas, de extrema confiança e "documentados" que são verdadeiros bandidos. Dentro dessa divisão legal/ilegal há todo tipo de indivíduo, portanto não há uma divisão que poderíamos fazer neste sentido. 

             Como Encontrar a Comunidade Brasileira?

          A comunidade brasileira é facilmente encontrada em vários pontos da cidade bem como nas redes sociais. No Facebook, instagram e Youtube há diversos brasileiros e grupos de brasileiros. Alguns deles inclusive prestam ajuda comunitária a outros brasileiros. Irei citar alguns grupos, mas com certeza deve haver perto de 3 dezenas deles:

Facebook








          Estes são alguns que eu tenho na minha página do Facebook. Me lembro de ter deletado alguns outros por isso acredito que o número deles já deva ter passado de 30 grupos. Nestes grupos há troca de informações, mercadorias, serviços, etc. No entanto não se pode ir fazendo qualquer pergunta muito básica que vem uma chuva de críticas. Por exemplo, se alguém perguntar: "Visto de estudante dá direito a Green Caaaard?" alguns dos integrantes do grupo se aborrecem e não têm papas na língua. Talvez o mínimo que alguém vá escutar é "vá pesquisar antes de perguntar besteira". Afinal é muita ingenuidade achar que se fosse assim, porque os EUA teriam 13 milhões de imigrantes ilegais?

Comércio

          A comunidade brasileira pode também ser encontrada no comércio. Há vários comércios de brasileiros espalhados pela cidade. E há indivíduos que fazem qualquer coisa para ganhar um trocado, talvez não aquilo que você pensou :-). Eu não irei alistar o comércio brasileiro em Orlando pois estes são facilmente encontrados em uma pesquisa rápida no Google. Há também dezenas deles e o mais novo e mais comentado da cidade é a rede Seabra (que é portuguesa) e me disseram que o supermercado é muito bom. Geralmente os supermercados pequenos da cidade não costumam ser muito limpos e apresentáveis, mas lá você encontra muitos dos produtos que usa no Brasil. 



Jornais e Revistas

           Há diversos jornais e revistas da comunidade brasileira em Orlando. Neles encontramos anúncios de comerciantes, resturantes, lojas de carros, serviços como corretores, contadores, advogados, dentistas e muitos outros. No Facebook eles são muito populares. Não espere um português de jornalista pois muitos desses veículos de comunicação são escritos por pessoas que vivem há muitos anos nos EUA e perderam muito da língua portuguesa assim como eu que vira e mexe escrevo alguma coisa errada aqui no blog. Aqui vão alguns:



             
- Facebrasil

            Há diversas outras revistas e jornais bem como blogs de diversos brasileiros. Mais uma vez uma pesquisa no google pode levar a encontrar todos eles. Há muita informação e material disponível para aqueles que vêm passear ou mesmo morar em Orlando. 


Canais do Youtube

            Muitas pessoas me perguntam porque é que eu não tenho um canal do Youtube. Em primeiro lugar por falta de tempo. Eu sou corretor e tenho a minha empresa de Design de Interiores em Orlando. Além disso uma casa e 3 cachorros para cuidar sem contar o blog que me toma bastante tempo. Só para se ter uma ideia, mais de 1000 emails por mês são adicionados à minha caixa de entrada somente do blog, sem contar os outros referentes às minhas duas atividades de trabalho. Eu poderia também dizer que não tenho tempo para aprender sobre as tecnologias para fazer e editar vídeos e nem mesmo energias para lidar com comentários e críticas que vêm desse tipo de mídia. Infelizmente, atrás de uma tela de computador as pessoas tendem a mostrar quem realmente são e não é fácil lidar com esse tipo de coisa, especialmente eu que tenho uma personalidade sensível para brigas. Na era do "politicamente correto" não se pode dizer o que pensa, não se pode fazer comentário ou dar a sua opinião sobre praticamente nada sem receber pesadas críticas.

          Atualmente eu acredito que o Realidade Americana, o Canal Perguntas do Paulo Paternes e o 78 Centavos do Rodrigo são os canais mais assistidos pelos brasileiros mas existem muitos outros para assistir. 



Amizades

           Para aqueles que vêm morar na cidade, legal ou ilegalmente não importa, há um período de adaptação muito difícil. Depois da excitação da mudança, de enfrentar o novo, de ter inúmeras expectativas positivas, uma "Outra Orlando" e um "Outro EUA" começam a se mostrar. A pessoa começa a enxergar coisas que não via quando vinha à passeio e a realidade de vida do dia a dia se faz presente e nem sempre é muito agradável. Neste momento ter amigos é primordial mas é preciso ter cautela. Há muitos brasileiros esperando uma oportunidade para levar vantagem em cima de alguém ou de uma família que acabou de se mudar e trouxe muitos dólares para realizar o sonho de viver nos EUA. Há uma expectativa de quem vem de receber ajuda da comunidade brasileira em Orlando. Isso não é bom pois o indivíduo pode não receber ajuda nenhuma ou pode, nunca se sabe. No entanto é preciso tomar muito cuidado com "sociedades" que quase sempre dão errado, "negócios de oportunidade" oferecidos por brasileiros, serviços, etc. Há muita gente desonesta e "amigos interesseiros" e isso ocorre tanto aqui como no Brasil. A diferença é que no Brasil a pessoa sabe os esquemas, as leis e como se defender. Alguém que acaba de se mudar não sabe essas coisas e pode facilmente cair vítima desses aproveitadores. Principalmente aqueles que fazem o mesmo serviço pela metade do preço. Muito calma nessa hora. Porém, com um bom filtro é possível encontrar pessoas boas para fazer parte da sua família em Orlando. Afinal, amigos são a família que a gente escolhe. 

Brigas e Desentendimentos

          Brigas e desentendimentos por membros da comunidade brasileira em Orlando são muito comuns. Nos grupos do Facebook sai cada arranca-rabo que, como disse minha amiga Alexandra Santine, eles deviam ser estudados. E como a comunidade é pequena, é como se fosse uma cidade do interior, as notícias se espalham rapidamente. É comum ficar sabendo de brigas em churrascos, festas, lojas e também "online". Fique longe de pessoas problemáticas e que se desentendem com tudo e com todos. Prefira ir aos poucos adquirindo amizades com pessoas de bem. É difícil para nós brasileiros pois conhecemos alguém e já vamos convidando a pessoa para ir à nossa casa. Americanos neste sentido são muito mais conservados. É comum viver uma década em uma mesma casa e nunca ter sido convidado para entrar na casa do vizinho. Embora o vizinho americano geralmente respeita muito os limites do que se pode ou não fazer para não incomodar os vizinhos. Coisas que nós brasileiros ainda temos muito o que aprender. 

Emprego

          Para aqueles que pensam em mudar para os EUA e adquirir um emprego "informal" a única opção no começo é mesmo procurar entre a comunidade brasileira. Os salários são baixos e o trabalho é muito por causa mesmo da natureza da contratação. É lógico que para os comerciantes é financeiramente melhor contratar alguém sem documentos. E para quem não tem documentos e não fala direito a língua, não há outra saída a não ser trabalhar com eles. Parece uma situação uma-mão-lava-a-outra mas tenho a impressão que quem sai mais limpo nessa história são os contratadores. Nos restaurantes, padarias, revistas, etc há sempre anúncios de empregadores precisando de mão de obra. É só ir no comércio brasileiro e procurar por tais anúncios. Geralmente se encontra trabalho na mesma semana. Lembrando que eu não estou incentivando o emprego informal embora é inevitável que ele aconteça. O melhor mesmo é o indivíduo planejar a mudança, vir estudar inglês, depois a faculdade e passar pelos processos legais de imigração, ainda mais agora que teremos um presidente que, pelo que parece, vai olhar de perto essa questão da imigração ilegal. 



O que esperar da comunidade brasileira em Orlando?

          Essa é a minha opinião. Quando eu vim aos EUA eu não esperava nada de ninguém pois, há quase 10 anos, não havia blogs, revistas, etc como existe hoje. Sempre pensei em me virar sozinho e encontrar as maneiras de sustentar e fazer a faculdade. Mas percebo que muitos se decepcionam pois esperam ajuda da comunidade e logo percebem que, as pessoas são desconfiadas e não tem desejo de ajudar qualquer um que chega e precisa disso ou daquilo, a não ser que deseje pagar pela ajuda. Muitas pessoas querem "consultoria" de graça. Passar duas horas no Skype te perguntando mil coisas pois é mais fácil que pesquisar. Mas se pedir 20 dólares para a consultoria logo o interesse desaparece. No meu caso que tenho dezenas de pessoas querendo "bater um papo" por skype toda semana, é simplesmente impossível e é por isso mesmo que escrevi o blog. Para colocar informações pertinentes sobre os EUA.

           Quando se vive aqui e se tem contato com a comunidade brasileira, sente-se que, de alguma maneira não perdemos um pouco da nossa própria identidade. É muito bom ter amigos para conversar em português, contar piadas e histórias, saborear da comida que estamos acostumados e passar tempo com verdadeiros amigos. Como não temos família vivendo aqui, cuidamos uns dos outros e ter esse apoio é fundamental. No entanto é preciso ir com calma e escolher bem os amigos para que não fiquemos tão decepcionados que começamos a culpar os EUA por isso e aquilo. É comum ver brasileiros reclamando de tudo por aqui. Na minha opinião e eu sempre digo isso às pessoas, "alguns só irão dar valor aos EUA quando estiverem de volta ao Brasil" 


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Como Funciona o Date nos EUA?


Para quem não é nascido neste país, o "date", a forma como os americanos cortejam é algo meio confuso. Vê-se nos filmes fulano vai convidar a fulana para um "date". "Did you ask her on a date yet?"(já convidou ela para um date?). Ou, "first you have to ask me on a date baby" (essa frase é clássica s significa, antes "daquilo" tem que me convidar para um date, pode ser um jantar). Mas o que é realmente o date e qual a diferença do date ou simplesmente sair?

Date pode significar sair com a pessoa que se tem interesse romântico por uma, duas ou mais vezes. Quando se diz que alguém está "dating" pode significar que a pessoa está namorando. Eu tenho dificuldade de saber se o dating é namorando ou "se encontrando" e os americanos também. Fazendo uma pesquisa na qual eu li 6 artigos percebi que não sou só eu. Até os americanos não sabem muito a diferença e os "experts" dão as pistas. Por exemplo, se alguém receber flores, é claro que é um date. Se a pessoa vem te buscar em casa e abre a porta do carro, é um date também (no caso dos homens convidando).



Algumas coisas são óbvias e muito parecidas. Em um primeiro date, é claro, não se vai desarrumado, sem tomar banho, não se fala dos "exs" (ex-marido, ex-namorado, ex-emprego), de política, de religião, etc e principalmente de doenças.  Eu fui a um date onde o rapaz me disse que a mochila que carregava continha os medicamentos que ele tomava diariamente, inclusive instruções caso ele tivesse um súbito ataque epilético, sem mencionar o cabelo ensebado, a barba suja, dentes e dedos manchados de nicotina e o fato de ele viver com a ex transgender do falecido marido. Muito complicado pra mim, que nem sequer entendi se a transgender do falecido era mulher que virou homem ou o contrário. Quase todo mundo tem um caso de date do inferno para contar. 


Quando alguém conhece outra pessoa e se interessa por ela, depois de alguns "clues" (insights, pistas) geralmente quem está interessado pede a pessoa em um date (ask on a date). O date pode ser um jantar, uma caminhada no parque, basicamente é um encontro onde as pessoas irão se conhecer. Famosos hoje estão os websites de "online dating" onde a pessoa faz um perfil e sai para conhecer outros com o objetivo de encontrar a pessoa para namorar e casar. 



Nos EUA o date é coisa séria, mas a juventude já se encarregou de estragar um pouco, informalizando bastante o processo. Hoje alguns definem conhecer e transar no primeiro dia como date, embora a melhor palavra para isso seja "hook-up". Mas para quem é romântico, pelo menos um pouco, o "date" é algo bem esperado. Após o primeiro date, quem convidou é quem toma a iniciativa de convidar para um segundo 
date. O convidado tem que deixar claro no final do primeiro date que gostou muito do encontro. Essa é a "deixa" que quem convidou espera para convidar para o segundo date. Se quem convidou para o primeiro date não ligar e não convidar para o segundo date daí quem convidou não gostou e provavelmente o segundo, terceiro, etc até o namoro não irão acontecer. Se conforme!! O melhor a fazer é partir para outra. Se humilhar e correr atrás da pessoa só tem o efeito contrário, mostra falta de amor próprio e quem trata disso é psicólogo. E quando é que passa de date para namoro? 



Em primeiro lugar a palavra usada para namorando é "dating", por isso a confusão. Depois de 10 dates, já está namorando ou não? Ninguém sabe, é preciso prestar atenção a algumas coisas. Diferente de nós brasileiros, alguém só apresenta a família e amigos para a pessoa a quem se está dating, quando o negócio ficou sério. Geralmente quando se apresenta à família, daí virou namoro. Se alguém que você foi a vários dates diz que quer te apresentar para a família, vá mas sem nenhuma pressão. Talvez ele ou ela te apresente como "namorado(a)" ou não, mas neste ponto, todo mundo já sabe quem você é, pode ter certeza. De acordo com o feedback da família, na maioria das vezes a "coisa" avança ou termina alí mesmo! 



Em algum ponto vai surgir a conversa sobre namoro, monogamia, etc. Se a conversa for aberta, essas coisas podem ser decididas e talvez as pessoas decidam já dizer a todos que têm um namorado ou namorada. Mas antes de oficializado o namoro, é preciso passar pelos 
dates. Alguns se perguntam o que fazer e o que não fazer em um date. Eu nem devia falar pois isso deveria ser senso comum, mas entre os americanos aqui vão as estatísticas:

- Beber mais que 1-2 drinks é "faux pass", ou seja erro clássico (ficar embriagado no primeiro date é o fim para 72% dos entrevistados)

- Higiêne, cigarro e peso são os obstáculos para os homens convidar para um segundo date. Para as mulheres é higiêne, cigarro e bebida.

- Para a maioria dos entrevistados, ter bom humor é a qualidade mais atraente (porém saiba que palhaços não são levados a sério)

- Quem convida deve estar preparado para pagar, quem é convidado deve estar preparado para dividir. Se não tem dinheiro diga já na hora do convite e talvez seja melhor ficar em casa. Se a pessoa te disser "we go on dutch" - vamos tipo dutch, significa que cada um vai pagar a sua. 

Alguns outros fatores que impedem um segundo date são o fato de alguém ainda morar com os pais depois dos 25, desemprego, fumo, animais de estimação exóticos como cobras e lagartos, má vestimenta, maus hábitos sobre a mesa (aquilo né? Comer de boca aberta, usar palitos de dente, etc), entre outros. 



A Arte do cortejo e namoro existe desde que o mundo é mundo. A sociedade está muito diferente mas há ainda aqueles que acreditam em dates, namoro sério e casamento de Cinderela e após o casamento, morar no castelo da Cinderela e serem felizes para sempre. Em primeiro lugar o castelo não é da Cinderela, é o do Principe e provavelmente se fosse hoje, ele pediria para fazer um "marriage agreement" onde seria estipulado que a Cinderela não vai ser dona de 50% do que ele tem, nada romântico por sinal.

Uma brasileira chegou pra mim e disse que achava que o cara que chamou ela para um date era gay pois não quis ir pra cama com ela naquela noite (dã?). Se ele convidou para um date é porque ele provavelmente é sério e não vai acontecer até talvez o terceiro ou quarto date, eu disse pra ela. Alguns americanos jovens só querem ter relações sexuais após o casamento, mesmo não sendo religiosos - ainda existe isso aqui.

Talvez a minha mente mais "careta" tenha a percepção de que um homem não vá querer casar com uma mulher que já no primeiro encontro vai para cama com ele. Talvez ele pense que ela seja fácil ou mesmo que faz o mesmo com todos. Infelizmente a mulher que sai com muitos homens é mau vista enquanto para o homem é diferente - vivemos em uma sociedade machista, é verdade. Uma coisa é certa, a natureza humana não muda e não mudou em 6 mil anos. Há uma certa magia na conquista. Tanto homens como mulheres gostam de achar que o companheiro ou companheira é especial. Os "dates" vão deixar isso bem claro.

Última dica: Se quiser "estragar" com o date é só ficar no telefone celular na maior parte do tempo. ;-)


E você? Tem uma história engraçada ou terrível de um date para compartilhar com a gente? :-D

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A Vitória de Donald Trump

       

         Quem lê o blog sabe a minha opinião sobre a composição do atual partido democrata e sua candidata à presidência Hillary Clinton. No entanto isso é a minha opinião. Eu respeito a opinião dos outros e não ataco ninguém que pensa de modo diferente, porém, essa eleição mostrou-se mais que simplesmente uma briga entre candidatos e partidos. Infelizmente a mídia internacional, completamente comprada, falhou em cobrir as eleições de modo imparcial e concentrou-se simplesmente em atacar um candidato e torcer por outro. Somente este fato, para quem tem um maior escrutínio, pareceu muito estranho. 

          Pense que todas as pesquisas internacionais e mesmo nos EUA anunciavam uma vitória fácil de Hillary Clinton. A cada debate, a mídia anunciava vitória da candidata, como se fosse fácil indicar quem venceu um debate e não tenho a mínima ideia de como faziam isso. Jornais pelos EUA, no Brasil e no mundo já davam a vitória ganha da candidata baseada em pesquisas sérias. Como é que o resultado foi totalmente o contrário? Como pôde alguém de fora do "estabelecimento" que supostamente é xenofóbico, machista, racista, pedófilo, estuprador, molestador, arrogante, ladrão, criminoso, mentiroso e mais uma lista de outros nomes, ganhar as eleições presidenciais americanas sem receber de ninguém apoio financeiro e ter, do lado contrário, o mundo inteiro torcendo para a outra candidata? Percebe que a história não está bem contada?



          Para quem vive no Brasil Donald Trump foi "pintado" como, no mínimo, louco desvairado e a candidata Hillary como a Messias do povo oprimido. Aqui nos EUA as opiniões estavam divididas pois Hillary está envolvida em muitos escândalos sérios e já mostrou estar acima da lei quando se trata de pagar por crimes cometidos. No entanto, em quase todas as estações de Tvs e jornais, a vitória estava ganha. As pesquisas mostravam, vai ser uma barbada. No dia a dia porém as coisas eram um pouco diferentes. Muitas pessoas comuns, em conversas do dia a dia mostravam o quão insatisfeitas estavam com o rumo em que o país está. Mas isso a TV jamais mostrava. 

No final, ele tinha razão, a mídia foi desonesta
          Chegou a um ponto triste em que, nem os Trumpistas se importavam com o comportamento do candidato e das acusações à Hillary e os Hillaristas não se importavam sequer se as acusações eram verdadeiras. Infelizmente, para o partido democrata, sua candidata não conseguiu esconder todos os escândalos em que estava envolvida. Financiadores de sua campanha são compostos de países que escondem e exportam terroristas, países que "odeiam" os americanos, bancos internacionais, fundações, etc. No final, os americanos perceberam que ela estava de "rabo preso" com gente perigosa. Mentiras e acusações de enriquecimento através da fundação Clinton (que recebeu centenas de milhões de dólares e que realmente passou para caridade, menos de 10 milhões) mostram que a história da Hillary está longe de terminar. Agora o FBI está investigando a fundação e não precisa mais temer retaliação do presidente Obama que a uma hora destas deve estar empacotando a mudança. Esperamos que, ao contrário de Hillary e Bill, não levem consigo obras de arte e mobília da casa branca que pertencem ao povo americano. 

Há uma desconexão entre o que Hillary diz pensar sobre países
que abrigam terroristas, oprimem a população e maltratam as
mulheres e o dinheiro que ela aceitou dos mesmos países.
Isso com certeza não foi divulgado no Brasil.
Já parou para pensar por quê?

          E quanto ao Donald Trump? Algumas coisas eu realmente acredito que ele seja, entre elas, arrogante. Por outro lado acho improvável uma pessoa ser de uma só vez tudo o que a mídia e o Facebook dizem que ele é. Por falar em Facebook, muito mais estranho era a censura que fazia a posts expondo a candidata Hillary. Não é tudo muito estranho? Parece um complô mundial à favor da candidata e sabemos que, tudo o que em geral o mundo apóia, o movimento de manipulação das massas, tem um só objetivo que não é o interesse das massas. Voltando ao Trump, além de achar que não é possível uma pessoa ser tudo aquilo sem ter sofrido sequer uma consequência por 7 décadas (ele tem quase 70 anos) faz-me pensar no por quê o "estabelecimento" não o quer no governo. Além do fato de muitas propagandas mostrarem coisas que ele disse há mais de 20 anos. Ainda bem que ninguém deve lembrar das coisas que eu pensava e falava há vinte anos. 


          Assistindo aos debates, se você não conseguir detectar mentiras no discurso de Hillary, significa que você não está bem informado sobre a política atual, a situação do governo e da economia americana e muito menos sobre quem é Hillary Clinton. Só para exemplificar algo simples, ela disse no seu penúltimo discurso que as pessoas teriam faculdade de graça, plano de saúde e muitos outros benefícios sem adicionar "um centavo" à dívida atual de 20 trilhões de dólares! Impossível...Prometeu uma reforma imigratória nos primeiros 100 dias de governo, coisa que o Obama também prometeu e não cumpriu. O povo não caiu novamente na mesma mentira. 

           O Vice de Hillary disse na TV que Trump vai deportar os 13 milhões de imigrantes ilegais no país. Ora bolas, qualquer pessoa inteligente sabe que isso é matematicamente, monetariamente e logisticamente impossível de se fazer. Mas porque ele disse isso? Porque as pessoas mais simples simplesmente acreditariam. Sem mencionar que o governo Obama foi o que mais deportou na história dos EUA. Em oito ano, quase 3 milhões de pessoas. 

O mesmo presidente que disse em 2012 "Hillary dirá qualquer coisa e mudará
nada" usou o dinheiro dos impostos de TODOS os americanos para viajar e fazer
comícios à favor de Hillary Clinton.
            No final das contas, mesmo para mim que não sou fã de Donald Trump e nem mesmo posso votar ainda, essa história toda mostrou ser um grande complô. Alianças de gente perigosa com agenda oculta e interesses pessoais acima dos interesses dos maiores interessados em tudo isso, a saber, a maioria da população americana que são, atualmente quem pagam os impostos que esse governo atual tem distrubuído a torto e à direita, bilhões de dólares a países que odeiam os americanos sem levar em conta que há pobres, miseráveis e veteranos precisando de assistência, aqui mesmo nos EUA. O povo americano está cansado dos políticos, das mentiras e das promessas. Algo tinha que ser feito. 

Enquanto vítimas do Katrina até hoje estão sem assistência, os EUA enviou
no governo Obama 35 bilhões de dólares de ajuda humanitária a 140 países
http://mondoweiss.net/2015/11/spends-billion-foreign/

          Mesmo que alguém não tome partido algum nessa corrida, foi um momento histórico a se observar. Como estão dizendo os comentaristas e repórteres, algo que nunca se viu na história dos EUA. Um "outsider" entrou na disputa com dinheiro próprio e venceu, mesmo tendo o mundo como oposição e ao seu lado, o povo americano que decidiu tentar dar um voto de confiança a alguém que não tem carreira política. Alguém que, sem medo nenhum, apontou o dedo para o presidente e sua candidata que deletou 33 mil emails "pessoais" e inofensivos (segundo ela) quando estes, eram provas de uma investigação do FBI. E porque então deletou e mandou uma empresa "esterilizar" o servidor encontrado no porão de sua residência? 



     E o maior derrotado neste processo foi, sem dúvida nenhuma, a mídia internacional e os veículos de informação que tentaram de todas as maneiras enganar a população movidos por interesses próprios que, em suma, não eram os interesses do povo americano. O povo foi às urnas como nunca antes e votaram, muitos não em Donald Trump, mas anti-Hillary, anti-mentira, anti-fronteiras abertas e distruibuição do dinheiro deles sem discriminação à órgãos e países que sequer gostam dos americanos. A despeito de todas as chances, votou no novo, na esperança de uma mudança do curso atual. Por este motivo, essa corrida que presenciamos não se tratou somente de uma mera eleição, mas sim de uma revolução. 

Com uma simples frase, o candidato, ao contrário de tudo e de todos se
tornou presidente dos Estados Unidos da América.
Minha esperança é que ele surpreenda a todos, sem excessão e seja
um ótimo presidente para esta nação. Só o tempo dirá...


Para saber mais sobre o movimento Hillary e Obama assita ao filme Hillary's America. 



Assista também ao filme que o governo tentou abafar como pôde chamado 13 Hours



      

domingo, 30 de outubro de 2016

Como é o trabalho de Interior Design nos EUA?

          

       Muitas pessoas deram ideias de posts para o blog e acredite, a que mais se repetiu foi a de como é fazer o design de interiores nos EUA. Então vou escrever sobre isso. Muitas pessoas tem o sonho de viver nos EUA e de poder exercer esse tipo de trabalho. As diferenças entre esse tipo de trabalho aqui e no Brasil eu talvez não possa dizer ao certo visto que nunca trabalhei como designer no Brasil. Após a faculdade só trabalhei mesmo em Orlando e região. Executando apenas um trabalho grande em Miami e dois menores, um no Texas e outro em Naples, FL.

         Em primeiro lugar, nos EUA, a profissão é regulamentada pelo governo diferentemente do Brasil. Ninguém pode se entitular "Designer de Interiores" sem ter feito o bacharel em 4 anos através de uma universidade ou faculdade nos EUA. Após a faculdade, se alguém desejar trabalhar com design comercial é necessário trabalhar por 2 anos para um profissional licenciado e depois prestar as provas e exames para receber a licença para trabalhar comercialmente. Porque? Por que os Americanos processam por qualquer coisa. Em caso de acidentes, incêndio, etc, é preciso que o profissional tenha suficiente experiência e cuidado nos projetos para não causar dano ao público e aos donos dos estabelecimentos. Uma vez que o designer passa nos exames, ele recebe a licença especial para trabalhar com projetos comerciais. Eu sempre disse na faculdade que iria trabalhar no design residencial que é a minha paixão.




          Qualquer pessoa pode decorar nos EUA. Não existe curso de bacharel nem sequer licença para decorar. Qualquer pessoa que acha que tem um bom senso de estética e bom gosto, pode se chamar de "decorador". No entanto, para distribuir um cartão de visitas com o título Interior Designer é preciso o curso ou então pode ser penalizado com pesadas multas ou até mesmo encarceramento é previsto por lei. 

            A diferença entre decorador e designer de interiores você pode ler neste post antigo que eu escrevi aqui. Basicamente o designer de interiores estudou 4 anos introdutórios de arquitetura. Com mais 2 ou 3 anos de curso, se tornaria arquiteto pleno. Então o designer pode executar reformas e o que for relacionado com o "interior" de uma residência ou estabelecimento comercial, hospitalar ou do governo. A profissão abrange desde reformas totais, decoração de pequenos cômodos ou uma simples consultoria de cores. E como recebe o Interior Designer pelos serviços prestados? 


Quarto projetado para uma garota com cama extra para
amigas
          O Designer de interiores recebe da maneira que ele quiser se ele tiver sua própria empresa ou se ele trabalha como autônomo. As empresas de design e arquitetura pagam salários fixos baixíssimos por sinal. Assim que eu saí da faculdade levei meu portfolio para uma das melhores empresas de Design dos EUA, senão do mundo, a famosa Marc-Michaels de Winter Park. O presidente da empresa, após ver o meu portfolio entrou em contato diretamente comigo pelo Linked In e eu passei por diversas entrevistas. Infelizmente quando fiquei sabendo que o salário era de 30 mil dólares ao ano, antes dos descontos foi como um grande balde de água fria. Depois acabei por entender porque as pessoas dentro do escritório imenso de Winter Park pareciam tão infelizes e emburradas. Ouvi várias histórias de pessoas que trabalharam lá e disseram que a experiência não foi nada agradável. Depois conto uma historinha pra vocês :-)



          O designer pode cobrar por hora trabalhada (entre 30 e 150 dólares/hora), por empreita (dá um preço fechado pelo design, que na minha opinião é a pior de todas) ou ganhar por uma porcentagem fixa sobre o que o cliente gastar. É assim que eu trabalho. A minha empresa cobra uma taxa fixa de 20% do valor que for gasto no projeto do início ao fim. Mas algumas coisas precisam ficar bem esclarecidas desde o início e vou explicar adiante. 




          Cobrar por empreita é um tiro no pé. Você calcula mais ou menos quanto tempo vai gastar com o projeto e dá um preço para o cliente. O problema é que se o cliente não gosta de algo e você refaz e refaz e refaz e depois os clientes mudam de ideia e mudam de ideia de novo, as horas que você calculou podem acabar multiplicando por 5. Eu peguei um trabalho "online" uma vez para projetar à distância. Cobrei um valor de estudante que os clientes concordaram em pagar e não pediram desconto. Por causa de muitas indecisões e mudanças de ideia, o projeto foi mudado tantas vezes, que eu tive que refazer muitas coisas que não tinham sido previstas no contrato que eu trabalhei 3 vezes mais do que havia estimado. Um ano depois o cliente ainda estava me ligando e pedindo desenhos pra isso e pra aquilo. Dividindo o valor recebido pelo trabalho pelas horas que colcoquei no trabalho, eu ganhei menos da metade do salário mínimo da Flórida que é um dos estados que tem o menor salário do país. Sorte do cliente que teve, ao seu dispôr, por 3 dólares a hora, uma pessoa que gastou mais de 100 mil dólares em uma graduação. NUNCA MAIS! Você pode concordar comigo que se eu estivesse ganhando por hora, o casal ia ser bem mais objetivo nas escolhas e iriam pedir, pelo menos, 1/3 dos desenhos e pesquisas que pediram. No final é assim: A pessoa quer fazer valer o dinheiro que pagou achando que foi muito e o designer quer fazer o melhor trabalho no menor tempo possível pois o dinheiro não é aquelas coisas. Uma situação onde todos perdem sob meu ponto de vista. 




O Processo de Design e Decoração

         O primeiro contato do cliente comigo sempre é por email ou telefone. Clientes chegam a mim através do blog, do Facebook e ou, na maioria das vezes, por indicação de outros clientes. Na primeira reunião fico sabendo qual é o objetivo do trabalho, gostos pessoais e orçamento. Depois da conversa inicial é sempre bom enviar um questionário para tentar descobrir as reais necessidades do cliente e o "estilo" de design que mais agradam e pretendem atingir. Definido isso o projeto vai ser feito dentro do estilo do cliente, não no estilo preferido do designer. Mesmo quando clientes chegam pra mim e dizem "faça como você quiser, nem quero ver nada" eu preciso ter alguma ideia, pelo menos, do que o cliente odeia. Um projeto assim no escuro é o pior pesadelo de um designer. A cada compra a gente "se molha" de medo com a dúvida se o cliente vai gostar ou não. E como são os pagamentos?

Este cliente queria uma sala azul que não é a minha cor preferida.
No entanto o designer tem que seguir o desejo de seu cliente
e projetar da melhor maneira para que ele fique satisfeito

        Os clientes depositam uma certa quantia na conta da empresa e eu saio gastando como louco? Claro que não. Acredite, gastar dinheiro dos outros é pior que gastar o seu se você é uma pessoa responsável com o seu dinheiro. Muitos cliente me dizem: "Que delícia né? Sair nas lojas gastando o dinheiro que não é seu..." Parece não é? Mas não é não. É uma responsabilidade enorme e quanto a fazer compras, talvez foi divertido na primeira até a terceira vez. Após a décima vez e eu que já fiz mais de 30 casas, não é tão divertido assim. É mesmo parte do trabalho. 

          Um designer responsável vai usar o dinheiro do cliente como se fosse o dele. Embora eu conheça pessoas que não sabem usar nem o próprio dinheiro, o que diria o dos outros? O designer tem que fazer um orçamento aproximado e tentar, sempre que puder, ficar abaixo do orçamento. Tentar achar e comprar coisas ou contratar serviços por menos do que foi orçado porque, o telefonema ao cliente para informar que o dinheiro acabou e que você precisa de mais, não é nada agradável. Eu sempre procuro prometer menos e entregar mais. Colocar um orçamento alto aproximado e dizer ao cliente que sobrou dinheiro. Fica difícil quando um cliente quer decorar uma casa inteira de 5 dormitórios com Tvs, roupa de cama e TUDO O MAIS com 30 mil dólares. Seria preciso, neste caso, valer mão do milagre da multiplicação dos dólares. Geralmente os valores são menores do que se pratica no Brasil, mas não dá pra fazer milagres. Se o cliente quer um "wow", tem que saber que WOW custa e não é pouco. Eu guardo todas as notas e envio extratos semanais para os clientes para que eles saibam como anda o projeto e os gastos com a obra. 


Bons móveis e acessórios de qualidade são mais baratos
que no Brasil, mesmo assim custam mais que a média
se comparados com lojas mais populares

          Decidio o estilo, as lojas, o orçamento, etc o cliente pode ir com o designer às compras ou pode deixar por conta dele. Acredite quando eu te digo. Quanto menos der opinião, melhor o resultado. Alguns projetos meus que não saíram muito bons teve o "dedo" do cliente exigindo isso ou aquilo. Às vezes já tenho em mente o design e combinação de tons e cores que vai ficar lindo. E o cliente vem com aquele sofá de couro marrom claro, quase cor de laranja que ele insiste em comprar. Resultado? Mudanças têm que ser feitas para acomodar o produto no projeto que você já imaginou. Alguns clientes não arredam o pé e é muito difícil convencê-los de que a peça não vai combinar no ambiente. Como eu sempre digo no começo de cada projeto para cada cliente "adorar decoração e achar que tem bom gosto, a maioria das pessoas acha. Colocar tudo em um pacote só e ficar bom é outra coisa completamente diferente". Se fosse assim tão fácil, não seria preciso 4 anos sentados em uma escola e 100 mil dólares pagos à uma entidade de ensino para estudar a teoria de projetar interiores seguros, funcionais e estéticamente agradáveis. Não é simplesmente uma questão de bom gosto. É 90% teoria e 10% aptidão e bom gosto. 





         Veja por exemplo este ambiente que eu tinha previsto um sofá claro para constrastar a cor das paredes e acessórios já comprados. Na última hora, depois da casa já pintada o cliente quis o sofá marrom que é exatamente da cor das paredes. Como não havia orçamento para repintar a sala, outras decisões de última hora tiveram que ser feitas e algumas coisas ser devolvidas ou trocadas. Mais trabalho que não estava previsto em contrato. 



         Atualmente estamos montando uma casa inteira em 5 dias. Programamos as entregas e instalações em um ou dois dias depois em 3, no máximo 4 dias entregamos a casa. Se for preciso pintar a casa inteira, acrescente-se a isso por volta de 1 semana ou dez dias, dependendo do tamanho da residência. 

           Mesmo que o trabalho seja somente decoração, há muitos profissionais que é preciso contratar como pintores, eletricistas, instaladores de TV, empresas de limpeza geral e de ar condicionado, por exemplo, entre outros. A comissão sobre estes serviços é o mesmo, de 20%. Se contratar americanos, o trabalho pode ser mais caro, mas geralmente é feito com muito profissionalismo. Se o orçamento é curto talvez seja preciso contratar pessoas ou empresas de "outra nacionalidade" e isso pode causar algum estresse como atrasos, faltas, má qualidade do trabalho, etc. Se é que me entende...Nos últimos 4 anos tenho trabalhado com o Gilberto da Fortal Construction anunciada aqui no blog. O trabalho dele é excelente. 




O Final Review

       Tudo pronto, montado, limpo, etc chega finalmente o tão esperado dia quando os clientes irão ver o resultado final. Graças ao bom Deus, também ao trabalho sério que venho fazendo ao longo dos anos, 99% dos clientes simplesmente amam o resultado. Já ouvi de diversos deles que a casa aqui em Orlando ficou muito melhor do que a casa que possuem no Brasil. Alguns choram de emoção e muitos se tornam amigos queridos. 



           É muito gratificante este tipo de trabalho onde um projeto bem executado irá fazer uma família construir memórias para uma vida em ambientes que foram imaginados e executados por você. Quando o cliente te diz que ficou muito além das expectativas que ele tinha, não há melhor pagamento que isso. Mas como não se vive só de elogios, eu preciso receber também. ;-)      


A Historinha

          Lembra da minha tentativa de entrar na empresa Marc-Michaels? Então, depois de 4 entrevistas e quase tudo certo eu fui chamado para a última entrevista que seria com a pessoa que seria minha chefe no departamento. Uma moça nova, aparentemente de uns 35 anos chamou-me para juntar-se a ela na sala de reuniões da empresa. Sorridente e muito simpática ela pediu o meu portfolio e começou a me fazer muitas perguntas. Já na metade do meu portfolio, virando as páginas relativamente devagar e analisando cada detalhe o humor da moça começou a mudar até que, no final do portfolio, ela já havia mudado seu humor da água para o vinho. Ficou muito séria e já não me olhava nos olhos quando falava comigo. De cara eu percebi que ela sentiu-se intimidada pelo meu trabalho e talvez pensou que seria um risco ter alguém como eu no mesmo departamento que ela. Duas semanas depois, quando eu liguei para a empresa, fiquei sabendo que uma garota de 22 anos recém saída da Seminole State College foi contratada para a posição. Fiquei chateado é obvio, mas depois disso resolvi pensar que algo melhor estava reservado para mim. Comecei a minha empresa e toquei meus trabalhos. Aqui vai o link para meu portfolio da faculdade

          Certo dia, uma cliente brasileiro milionário entrou em contato querendo comprar uma casa de férias nos EUA, disse que tinha orçamento de 500 mil dólares e perguntou se era possível adquirir uma propriedade neste valor em Orlando. Claro que 500 mil dólares é mais que suficiente para comprar uma propriedade de férias em Orlando. No entanto, ao visitarmos as propriedades nesta faixa de preço, nenhuma supriu as expectativas do cliente e depois de vermos juntos, mais de 40 propriedades ele acabou por comprar uma residência no famoso Keenne's Point por 2 milhões de dólares. Mal pegou as chaves já queria reformar a casa que tinha acabado de ser construída. 

         Naquela época eu estava realmente abarrotado de trabalho e não foi possível aceitar a decoração da residência. Eu estava trabalhando domingo à domingo em outros 3 projetos e com as vendas. Não havia jeito de pegar o projeto desse cliente que era enorme! O cliente me perguntou qual era a melhor empresa de design da cidade. Eu respondi, a Marc Michaels, porque eu acho que é mesmo. Ele pediu para que eu entrasse em contato para o pedido de orçamento. No dia marcado, chegando eu à residência na hora marcada com meu Audi Q7, bem vestido, etc com quem me deparo esperando em pé, na porta da residência? O presidente da Marc Michaels com "a moça" que me entrevistou. Os dois me reconheceram e arregalaram os olhos quando me viram. Imediatamente me perguntaram se eu estava alí como concorrente deles ao que eu disse que não, que havia sido eu quem os chamara para o orçamento. Expliquei que eu tinha minha própria empresa de design e que não poderia acomodar o projeto do cliente ao qual eu também vendi o imóvel. A cara da moça vai ficar eternamente na minha memória. Ela tinha razão, provavelmente eu iria tomar a posição dela na empresa e foi a decisão correta em não me contratar e contratar alguém realmente inexperiente que fosse fácil de manipular. A moral da história é que, algumas portas se fecham e precisamos estar atentos pois outras se abrirão com perspectivas melhores se nós não ficarmos tão absortos e decepcionados que não possamos enxergar as outras oportunidades. Com as minhas novas atividades e somente com a venda daquela casa eu ganhei de uma só vez, um ano e meio de salário daquela moça e 3 anos de salário que a Marc Michaels iria me pagar. 

          Eu fiquei com vontade de abraçar a moça e agradecer de coração por ela não ter me contratado. Se não fosse o que ela fez, independentemente da motivação, eu não teria minha própria empresa e não estaria talvez onde estou hoje. Sem saber ela me fez um bem enorme e eu sou muito grato a ela. Mesmo assim fico pensando que eu teria aprendido muita coisa por trabalhar com eles nem que fosse por um pequeno período. Mas como diz o "sábio" Zeca Pagodinho..."deixa a vida me levar, vida leva eu..."

Um abraço a todos!

          Se quiser entrar em contato para um orçamento de design e decoração envie um email para studiorinteriordesign@gmail.com

              Se desejar adquirir uma propriedade em Orlando e região envie um email para rs_alves@hotmail.com

Acompanhe os projetos no Instagram: renato_s_alves

Ps. Eu estou cada vez mais aborrecido com a qualidade das fotos na plataforma blogger que é deste blog. Em um futuro próximo o blog vai mudar a plataforma e espero que a qualidade das fotos melhore...

           

      
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