sábado, 18 de maio de 2013

Paraense disputa vaga de apresentador em programa de TV dos EUA sobre natureza e aventura

Thiago Bahia é o único brasileiro entre os 12 finalistas do concurso
16/05/2013 - 18:30 - Especial
Conhecer novos lugares e viver experiências enriquecedoras são alguns dos pontos que movem Thiago Bahia. O paraense de 33 anos, nascido em Belém, desde muito jovem sempre gostou da vida 'off road', do contato com a natureza e de viver situações que fugiam do habitual. Aos 20 anos, mudou-se para os EUA e nos últimos cinco vem produzindo mini vídeos de suas viagens. Do hobby surgiu a oportunidade de participar de um concurso para apresentar um programa sobre natureza e aventura em uma emissora de TV americana. Em entrevista ao Portal ORM, ele contou sua relação com natureza, a aventura e a disputa para a vaga de apresentador.
Thiago é o único brasileiro entre os 12 finalistas para ancorar o programa 'Mutual of Omaha's Wild Kingdom', exibido no Animal Planet. A votação é feita pela internet até o dia 23 deste mês. A expectativa de vencer é grande, já que ocupa hoje o segundo lugar entre os selecionados, mas para conseguir o objetivo, pede o apoio dos paraenses. 'Quero muito a chance de poder apresentar esse programa e trazer a natureza para dentro da casa dos telespectadores. E quem sabe também fazer um programa mostrando novamente a nossa terrinha', conclui. Clique aqui para acessar o vídeo e votar!
A participação surgiu do incentivo de um amigo que é fã de seus vídeos. 'O 'Wild Kingdom' é o programa mais antigo sobre natureza e aventura daqui. Eles fizeram um concurso nacional para quem quiser se candidatar a ser o apresentador e tinha que enviar um vídeo de 2 minutos. Um amigo disse que eu deveria entrar. Eu não liguei muito, mas depois de uns dias fui na internet e vi o regulamento, fiz meu vídeo, enviei e agora estou na final. Agora preciso de votos, muitos votos', conta Thiago.
O paraense foi morar nos Estados Unidos para estudar, começou a trabalhar em um banco em Nova Iorque e e também fazia trabalhos como apresentador, mas nunca deixando de lado seu hobby. Hoje trabalha em uma agência de publicidade e continua produzindo vídeos de aventuras. 'Faço mais ou menos uma viagem e um vídeo por mês', conta o paraense, que já participou da 'Volta ao mundo de Mochilão em 90 dias', em 2005, do Mergulho no Triangulo das Bermudas, em 2008, e da caminhada ao fundo do Grand Canyon, em dezembro de 2009. Entre os lugares mais recentes que viajou estão as Ilhas Virgens Espanholas, em Porto Rico, e as Montanhas do Gila, no estado Americano do Novo México. A próxima viagem está marcada para o fim de junho e o destino será a Croácia, Áustria e República Checa.
Sobre sua relação com a natureza e a aventura, ele explica: 'Sempre tive o espírito aventureiro. Nunca fui chegado nas baladas. Em Belém, gostava mesmo era de ir para o Ver-o-Peso, viajar de barco, conhecer localidades no interior do Estado e viver novas experiências. Era meu hobby'.
Em 2008, o aventureiro esteve em Belém com a equipe de produção americana para gravar um programa. 'Fui aí na nossa terrinha com o apresentador David Yetman e no programa mostramos o Ver-o-Peso, o açaí, os peixes. Esse vídeo da Amazônia foi apresentado em rede nacional aqui nos EUA e fez muito sucesso', conta o aventureiro, que pretende voltar a Belém, já como apresentador, para mostrar as maravilhas de sua cidade natal.

Lidiane Sousa (Portal ORM)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Bolo de Blueberries



          Blueberries se tornaram a minha fruta predileta. Eu nunca havia comido blueberries até chegar me mudar para os EUA. No Brasil, embora seja difícil de achar, há lugares que vendem e chama-se "mirtilos". Qual é o gosto da blueberry? Difícil de descrever, ainda mais se tem um gosto que você nunca provou antes, mas vou tentar ok? Blueberry tem um gosto que pode ser um misto de amora e morango. É um pouco azedinha, mas as mais maduras são bem doces. Eu uso blueberries em tudo. Faço torta de blueberries que era a predileta da Loretta, você pode ver a receita aqui. Coloco blueberries na salada, no iogurte, no cereal, e por aí vai. Aqui nos EUA, fora de época uma vasilha pequena contendo 2 xícaras de blueberries pode custar 5 dólares cada. Na época da safra, encontra-se por 2.99. Às vezes 2 por 5 também já encontrei. A safra começa em Maio e vai até depois do verão, por volta de Setembro, nos EUA. Fora da safra há a opção também de comprar congelada no supermercado.

Blueberries congeladas

Blueberries frescas


          No velório da Loretta, sua amiga de muito anos, Mary, fez o bolo preferido dela. Bolo de blueberries. Eu comi 3 pedaços do bolo. Estava uma delícia. Nunca antes, comi um bolo caseiro com gosto de bolo pullman. Fiquei sem jeito de pedir a receita, mas depois a Louise pediu pra mim, ao que Mary, deu a receita de bom grado. Segundo ela, é uma receita da sua avó, simples de ser feita e que agrada a todos. Receita de vó não tem pra ninguém certo? Por isso hoje, faz parte do meu caderninho de receitas, que já houve quem disse que vai roubar de mim um dia. Melhor eu fazer uma cópia não acha? Aqui vai a receita:


Bolo de Blueberries

Ingredientes:
1 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento
1 colher de chá de sal
2 ovos grandes
1/2 xícara de manteiga
1 xícara de açúcar
1/3 de xícara de leite
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 1/2 xícaras de blueberries

Modo de fazer:

Pré-aqueça o forno a 180 graus Celsius (350 ºF).
Bata o açúcar, a manteiga e os ovos com a baunilha até ficar homogêneo.
Acrescente à batedeira, o restante dos ingredientes menos as blueberries e "bata na batedeira bem batido" (hehehe).
Lave as blueberries e acrescente 2 colheres de chá de farinha de trigo a elas, misture até todas ficarem "esbranquiçadas".
Misture com o creme e coloque em uma forma baixa (9 polegadas ou 22cm) untada com manteiga e farinha.
Asse no forno 180 graus por 35 minutos aproximadamente ou até que um palito de dentes saia limpo ao ser enfiado na massa.
Deixe esfriar (primeiro!!) e depois retire da forma se quiser. Uma forma com a lateral removível acredito ser bom também.


      




   
35 minutos! Vai depender também do forno, certo?
Delicioso, mas longe de perfeito. Eu acerto ainda...

          Algumas considerações precisam ser feitas. Na primeira vez que fiz o bolo, usei uma forma com furo no meio, aquela que aqui se chama "angel cake pan" e na receita fala para colocar em uma forma redonda de aproximadamente 22cm de diâmetro (9 polegadas). As blueberries desceram ao fundo e o bolo inteiro grudou na forma. Que raiva! Fiquei com vontade de jogar tudo no lixo e fazer tudo de novo. Mesmo assim comemos o bolo inteiro.

Essa foto peguei na internet. Veja que o bolo foi feito em uma forma com furo no meio.
A massa parece bem mais seca que a minha, talvez seja este o motivo de as
blueberries não irem ao fundo da forma?

          Desta vez usei a forma de 9 polegadas e coloquei as blueberries na farinha, como manda a receita. Mesmo assim as blueberries desceram ao fundo da forma. No entanto, não da maneira como no primeiro bolo. Algumas ficaram no meio. Então pesquisei no google e achei algumas explicações de o por quê que as blueberries afundam. As explicações em inglês podem ser encontradas aqui e aqui. Mas traduzindo, resumidamente diz que blueberries frescas contém muito suco e são muito pesadas. Aconselha-se deixar na farinha por um tempo para que a farinha absorva o suco da blueberry. Outra dica é usar as blueberries congeladas. Vamos ver, se eu encontrar a maneira perfeita para para as blueberries ficarem "nadando" no meio do bolo em vez de afundarem, eu volto e acrescento ao post. Acho que a melhor saída, no entanto, é ensinar as blueberries a nadar, não acha? ;-) De qualquer maneira, blueberries afogadas ou não, o bolo ficou delicioso e eu comi, para meu desespero, 1/3 dele assistindo aos meus shows preferidos Once Upon a Time, Revenge e Red Widow. Enjoy!!


Algumas opções para decoração do bolo de blueberries:










terça-feira, 30 de abril de 2013

Mall Walking

          Outro dia fui ao cinema no shopping aqui ao lado de casa. Sempre digo que é a última vez que eu vou. Daí, como sofro de amnésia, acabo indo novamente e sou recordado do por quê toda vez me faço a promessa. O Fashion Square Mall que fica a poucas quadras daqui de casa (agora você sabe mais ou menos onde eu moro não é?) e é muito mal frequentado. A diferença entre o Milenia Mall e o Fashion Square Mall podemos dizer que é a mesma diferença entre o Shopping Iguatemi e o Shopping Interlagos. Não entendeu? Entre o Pão de Açúcar e Barateiro...A interpretação é sua.

          Veneno expelido, estava eu a esperar pelo meu filme quando vejo um senhor de idade andar apressadamente. Engraçado é que o mesmo fazia um movimento com os braços muito esquisito para quem simplesmente se dirigia a alguma loja. Cinco minutos depois vejo o mesmo senhor voltando apressadamente enquanto torço o pescoço acompanhando seu trajeto. Cinco minutos depois vejo o mesmo homem voltar e passar por mim novamente, apressado. Fiquei de testa franzida atinando que raio aquele homem fazia pra lá e pra cá. E não é que ele passou mais umas duas vezes? Com meu olhar escrutinador tentei observar alguma coisa que pudesse me dar uma pista do que fosse aquilo. Para minha surpresa, duas outras pessoas (da terceira idade) se juntaram ao senhor e andavam apressadamente ao lado dele. Será que fugiram do hospício, cheguei até a pensar (a vá!?).

          Foi daí que a ficha caiu (gente, é preciso acabar com essa gíria, orelhão nem ficha usa mais!). Lógica dificílima de perceber, os três usavam roupa de ginástica e tênis de caminhada. Os três andavam pra lá e pra cá apressadamente. Depois de muitas considerações e uma consulta rápida no google do meu smartphone android e eis a resposta: Mall Walking! (caminhada em shopping). Sim, depois que atinei e comecei a prestar mais atenção, essa prática é comum nos EUA. Geralmente seniors fazem caminhada dentro do shopping. Até na Wikepédia já tem um artigo sobre isso. E olha, faz sentido, sabe por quê?



1- Dentro dos Shoppings o ar é aclimatizado. Se você pensa que esta é uma má ideia, experimente fazer caminhada em um calor de 40 graus e humidade do ar acima de 80%, volte aqui humildemente e deixe seu comentário.

2- O piso do shopping é uniforme, não tem pedras, buracos, elevações, etc. Minha querida professora Dr Steves torceu o pé e trincou o tornozelo fazendo caminhada na rua.

3- No Shopping tem seguranças e cameras. Dificilmente uma pessoa seria assaltada dentro do shopping porque de outro modo no mesmo dia teria sua cara estampada no noticiário da TV.

4- Caminhar no shopping anula o risco de ser atropelado por um doido no meio da rua.

5- Se a pessoa quiser algo mais intenso pode subir e descer as escadas, coisa que nas ruas é mais difícil de encontrar.

6- Não tem a poluição das ruas (se bem que aqui em Orlando, a poluição mesmo só se sente às beiras de uma avenida movimentada).   

7- Os banheiros estão próximos. Absolutamente necessário.

8- Há restaurantes se precisar depois, repor as calorias...não acha ótimo? Caminha por uma hora depois come hamburguer com fritas, coca-cola e sorvete de sobremesa. Brincadeiras à parte, não acredito que os que se preocupam em ficar ativos na terceira idade vão depois sabotar o plano com um lanche do Mc.

9- Alguns Shoppings passaram a abrir as portas às 7 da manhã para Mall Wallkers.



9- Depois da caminhada, o povo pode socializar no shopping mesmo. Vira um programa legal...porque eu não pensei nisso antes??



Esses americanos são muito engracados...
             Meu recado pra esses adoráveis seniors:



sábado, 27 de abril de 2013

Coisas que Aprendi com os Americanos



            Três anos e meio e eu posso dizer que sou uma pessoa diferente. Melhor? Hum, não sei não, mas a verdade é que morar em um outro país muda a pessoa, sabe? "Mexe com o psicológico", como diria uma amiga muito engaçada. Mas, você deve estar se perguntando, o que ele aprendeu com os americanos? Coisas boas e ruins, é claro que as ruins, eu não pratico ou tento não praticar, porque afinal, gente inteligente aprende dos erros dos outros, não acha? Citando a "Dona Lira" mãe de um amigo meu, nordestina sábia: "Quem não ouve conselho, ouve coitado..." ou a melhor "quem anda com porco, come farelo" (eu diria que come outra coisa...). Chega de blá blá blá...

1- Aprendi não ligar para a opinião dos outros com respeito à vestimenta.
           
Se não for para entrevista de emprego ou mesmo emprego, eu me visto da maneira mais confortável. Trabalhando em casa o dia inteiro de pijamas, se tiver que ir no posto de gasolina, eu vou com eles, e olha...ninguém olha torto, nem sequer olham pra você. Americano é assim (acho que a maioria?), está pouco preocupado com a moda ou com opinião alheia...o que importa é o conforto. A América Latina é muito preocupada com a aparência...


2- Carro não é sinônimo de status.
           
Ter um Jetta 2.5 aqui não me faz melhor do que ninguém. Na verdade, mesmo uma BMW não dá muito status para uma pessoa. Eu conheço pobre que tem. Percebe-se a grande desimportância que os americanos dão para automóveis, pelo preço que estão dispostos a pagar por eles. Enquanto no Brasil a gente se mata pra andar com roupa de marca e paga 1500-2000-3000 na prestação do carro, aqui uma prestação de 500 dólares é algo inconcebível ou prestação "alta". É como pagar 10 reais em um único cotonete.

3- Aprendi a ser mais educado. (mais ainda? ;-))
            Eu sei que não justifica, mas a verdade tem que ser dita. No Brasil, acabamos sendo levados pela maioria mau educada. Por exemplo, ao chegar no aeroporto de SP fiquei espantado com a quantidade de pessoas cortando a minha frente, furando fila, esbarrando em você e nem aí. Será que eu era assim também? O caso é que fui chamado à atenção algumas vezes aqui (sniffff!). Portanto, hoje não corto a frente de ninguém, peço licença, digo obrigado, por favor, bom dia, tenha um bom dia em 100% das vezes. Abro a porta para qualquer um e quando abrem pra mim, agradeço. Ao abrir a porta, deixo quem está vindo entrar primeiro e depois eu saio. Espero quem está saindo e depois entro e believe me, é o que a maioria aqui faz.


4- Aprendi a respeitar, sem questionar, as leis de trânsito.
           
Em SP, algumas situações fazem a gente burlar algumas leis, que vergonha... Aqui, aprendi a respeitar as leis de trânsito e limites de velocidade, principalmente. Um dia o Robert perguntou: No Brasil não tem sinal de Pare? O que vocês fazem no sinal de Pare? E a minha cara? Embora os americanos reclamem do trânsito de Orlando, believe me, está anos luz à frente na civilização do que trânsito caótico, horrível de SP e Rio...

5- Aprendi a amar os animais incondicionalmente.
           
Eu ouvi uma brasileira dizer em 1995 quando estava em Boston estudando inglês: "Aqui é assim, em primeiro lugar o animal. Só os animais tem direitos e nenhum dever. Depois as crianças, depois a mulher e por último, o homem". Realmente, existem muitas leis que defendem os animais aqui. Por exemplo, na Flórida, cães não podem ser deixados em correntes (ou coleiras) ou no quintal sozinhos por mais de 2 horas. Viu? É só denunciar...
            Quer fazer um americano chorar? Conte uma história triste sobre um animal. Nova Iorque é a cidade com mais cães por pessoa do mundo sabia?


6- Não importa sua idade, sabe fazer? Isso é o que importa.
           
É proibido por lei nos EUA perguntar em uma entrevista de emprego qual a idade do candidato. Nos curriculos, data de nascimento não é colocada. Vê-se muita gente de idade (e eu digo I-DA-DE..70-80 anos!) trabalhando. Eu vi uma senhora de uns 70 anos dirigindo um ônibus escolar. Fiquei alí no farol, de queixo caído, olhando enquanto ela passava.



7- Aprendi a pesquisar as leis.
            Enquanto há alguns que dizem que os americanos são alienados (me desculpe, qualquer generalização, para mim, tem origem na ignorância - nos dois sentidos da palavra), uma coisa posso dizer, eles conhecem muito bem suas próprias leis. Nós brasileiros não conhecemos, eles conhecem, sabem perfeitamente o que é permitido e o que não é (claro, com exceções). Na faculdade de design, aprendi que um empreiteiro americano precisa fazer prova para receber a licença para trabalhar, saber as leis e ter seguro. Gambiarras acontecem, com menos intensidade, felizmente.

8- Fazer as coisas você mesmo (DIY Do It Yourself!).
           
Em geral, o próprio americano corta sua grama, pinta sua casa, conserta suas coisas, cuida do jardim, limpa sua casa e cozin..............compra comida fora. Bom, esse é para a segunda parte...me aguarde. Eu entrei também nessas do "do it yourself" e me dei mal. As coisas não são tão fáceis como parecem. Você não imagina o peso que tem uma pá, depois de alguns minutos, não descobriram ainda, mas o peso aumenta, é fato. Mas, pagar pra alguém fazer, só em último caso.


9- Aprendi o valor das coisas. E aprendi a não pagar pelo o que não vale!
           
Não importa se é Hollister, Abercrombie o raio que o parta, custa caro? Uma parcela ínfima da população compra. Uma calça Levis em SP (que as Patys torcem o nariz) pode custar 300 reais. Vi com esses olhos que a terra não há de comer. Aqui, se custar 50 já fica lá encostada. 100 dólares em um tênis? Já ouvi "Você perdeu o juízo?". A verdade é que assim que cheguei me danei pro shopping e comprei um moooonte de coisas. Hoje, esqueci os preços do Brasil, então tenho um outro parâmetro para avaliar o quanto vale certa coisa.

10- Aprendi que a culinária americano não é composta só de Hamburguer e comida de lata.
           
Eu tenho até vergonha de admitir que já disse essa frase. No entanto, eu repeti a frase que, com certeza, escutei de alguém que tinha como modelo. A cultura esquerdista-anti-americana no Brasil fala um monte de bobagem dos EUA que eu só descobri depois que vim morar aqui. Por exemplo, escutei de uma pessoa estudada, lida: "Nos EUA só tem escola particular, é tudo particular!". Aff...sem comentários.
            Aprendi a fazer, e essa tornou-se a minha sobremesa predileta, a amada dos americanos, a American Pie. Para quem quer conhecer um pouco mais da rica culinária americana, veja o blogda Cinara, dedicado a receitas exclusivamente americanas. E não me venha comentar que a culinária só é assim por causa da Irlanda e Inglaterra porque no Brasil é a MESMA COISA. Veio dos portugueses, italianos, etc. Eu tô sem paciência com gente mal educada hein?
(kkkkkkkkkkkkk)



Como eu não consigo pensar em nada mais vamos às coisas que eu aprendi com os americanos e que não deve-se repetir:

1- Aprendi a não comer porcaria.
           
O paraíso de gente preguiçosa é aqui. Dá pra se passar anos sem ligar o fogão. Com um sanduíche no McDonald's custando 1 dólar, e uma pessoa com uma renca de filhos, dá pra alimentar a 10 pessoas com 10 dólares (se bem que, do jeito que comem, multiplique por 3). Na terra do "tudo pronto" e do "medo de ser processado", os engenheiros químicos ficaram milionários inventando mil e um produtos para inserir nesses pratos prontos. Quer um exemplo? Meu muffim de maçãs (porque usa mais de uma ok?) estraga em 10 dias. O Muffim que a Louise compra no supermercado dura 60 dias intacto, lindo, perfumado, brilhante e saboroso. Sai pra lá... O que eles comem de porcaria dentro de casa não está escrito nos gibis...


2- Não é porque é large que é melhor.
           
Com essa mentalidade de ganhar sempre no custo/benefício (e isso foi muito bem explicado no filme Supersize-me), eles tentam obter o mais, o maior, pelo menor valor que se puder pagar. Como eu dizia no Brasil, a Cokinha pequena que vende aí faz menos mal que a de 350ml, sabe porque? Porque você bebe menos Coca-cola! Nessa onda do large, eles bebem um litro de Coca-cola ou pepsi em uma única refeição! Complementando: Se é large, provavelmente mais mal faz!


3- Cuidar do meu peso.
            Um dia eu sentado na frente da Ross, esperando pra abrir, notei que entre as 17 pessoas que estavam alí comigo, eu era o único que não era OBESO. Triste constatação, 16 pessoas obesas e eu digo o-be-sas...alí. Com 1/3 da população obesa, é claro que eu luto diariamente pra não entrar nessa estatística.


4- Aprendi a evitar o disperdício.
           
Sério, o que se disperdiça de coisas aqui não é mole. Duas vezes por semana a quantidade de lixo que saem das casas é inacreditável. Há quem seja consciente, mas pelo menos aqui em casa é assim: Está calor? Liga o ar condicionado. Enquanto que um simples abrir de janelas daria conta. Está com frio, liga o aquecedor, enquanto uma leve blusa e calças compridas fariam o mesmo efeito. Lógico que nos dias de 40 graus de calor do lado de fora, é insuportável e o bendito ar, nos traz conforto, mas na primavera e outono, não precisaria. A mesma coisa com o aquecedor. Quem merece ficar de casaco, gorro e luvas dentro de casa no Brasil? Quando estamos abaixo de zero, claro o aquecedor deveria ser ligado.
            Quebrou? Compra outro! Assim, com a maior facilidade. Principalmente porque a água, a eletricidade e muitas outras coisas são baratas, há muito disperdício.

5- Aprendi a ser mais leve, não me preocupar tanto com as regras.
           
Talvez seja contraditório o que eu acabei de escrever, mas a verdade é que até um certo limite as regras são boas e a sociedade se organiza muito bem. Mas existe um seguir ao pé-da-letra aqui que às vezes me cansa. Outro dia tive que dizer ao meu professor que disse que estávamos proibidos de sair da classe antes das 11 da noite: "Olha, eu sou adulto, mais velho que você e posso sair se eu quiser, não acha? Ninguém pode me proibir de sair se eu quiser..." Ao que ele sorriu e disse: "Você tem razão, somos adultos, essa regra é pra escola fundamental".

6- Aprendi que sair de casa e me exercitar é fundamental.
           
Eu devo ter sido um bicho preguiça em outra vida (se eu acreditasse nisso). Não me leve a mal, eu levanto super cedo todos os dias, arrumo a casa, limpo, cozinho, cuido dos meus cachorros, cuido do jardim, da piscina, do carro, faço compras, trabalho (sim eu trabalho, em casa), faço os projetos da faculdade, escrevo o blog, respondo emails, e mais uma lista de coisas. Mas, me pede para ir para academia ou fazer caminhada. Eu me arrasto. Já me matriculei e cancelei a matrícula 3 vezes em 3 anos. Mas continuo me cutucando pra tanto. Já "os outros" passam o dia IN-TEI-RO (sábado e domingo inteiro) na frente da televisão! Eu quero morrer com isso!

8- Aprendi a não ser consumista.
           
Preciso dizer alguma coisa?? ;-)


domingo, 21 de abril de 2013

Velório e Enterro nos EUA


            Eu sei que faz um tempão que não escrevo para o blog. Infelizmente coisas ruins e boas aconteceram e aqui estou eu para compartilhar com os leitores.

            Na terça-feira da semana passada o telefone tocou às 2:45 da manhã. Embora eu não ouvi o telefone tocar, escutei a mãe do Robert falando pra ele a seguinte frase aterradora: "I'm going to the hospital, they called and said that she probably won't  make it till tomorrow..." (estou indo para o hospital, eles ligaram e disseram que provavelmente ela não vai sobreviver até amanhã). Aquelas palavras me deram uma sensação muito ruim, ao mesmo tempo senti um alívio. Ela, neste caso, a mãe da Louise, avó do Robert estava muito mal no hospital, inconsciente e com sinais de que estava por partir. Eu falei da Loretta neste post aqui em 2010.

            Desde que cheguei aqui a Loretta entra e sai do hospital. Sempre achei incrível como ela aguentava essa situação com bom humor e, pouquíssimas vezes eu ouvi ela reclamando da dor (que sentia constantemente) ou das idas e vindas do hospital. Loretta ainda morava sozinha (o que eu acho um absurdo, sinceramente, mas não vou me estender no assunto) na sua casa em Deltona. No último mês, já com 90 anos, a coisa piorou. Eu já não aguentava mais ouvir o quanto ela estava sofrendo e por isso, senti o alívio, por ela.

            Imagine às 2:45 da manhã, os cachorros, o gato, eu e todo o resto acordamos e toca fazer café que a noite vai ser longa (ou a madrugada). Cinco minutos passados desde a saída da Louise pela porta da cozinha ela volta e diz: Ela faleceu...Louise recebeu a notícia dentro do carro, nem mesmo tinha saído da garagem.

            E aí começaram os telefonemas para amigos e parentes. A única coisa que eu consegui dizer quando ouvi o Robert falando "ela não devia ter ido para aquele hospital, e se eles mataram ela?" foi: "Robert, she suffured enough" (Robert, ela sofreu o suficiente, embora em inglês a idéia é "ela sofreu mais da conta"). Essa simples frase fez com que ele imediatamente se acalmasse e se conformasse, vendo que para ela, foi melhor assim. Ninguém merece passar metade do ano dentro de um hospital, merece?

            Daí a maratona começou. Aqui nos EUA, as pessoas não são enterradas como no Brasil, de um dia para o outro. Aqui pode levar de 4 a 10 dias pelo que pesquisei. Em primeiro lugar, a família tem que organizar o velório, a recepção (como a gente vê nos filmes, tem recepção com comida, etc), e todas as outras coisas que no Brasil a gente faz às pressas. Eu inclusive vi em um site "Dare to ask" (ouse perguntar), o por quê que as famílias negras americanas ainda demoram mais tempo que as famílias brancas. Entre as explicações haviam as seguintes: Famílias pobres, principalmente de negros, recebem ajuda do governo para o enterro, o que não é liberado antes de uma semana. Brancos enterram antes porque a cor da pele começa a mudar e fica cinza-azulado (será?). Famílias negras têm parentes espalhados por todos os cantos dos EUA e até todos chegarem leva tempo. Para os negros o ritual da morte é mais longo vindo de origens africanas. Seja lá o que for, de qualquer maneira, demora mais, também me pareceu mais bem elaborado. Claro que no Brasil, alguém rico que morra, terá um enterro bem elaborado. Mas por parte da classe média aqui, achei o velório, enterro e recepção bem mais elaborado, tendo em vista as experiências que tive no Brasil neste sentido.

Local onde foi realizado o velorio.

            Como eu não sabia muito sobre o assunto, pedi ajuda aos universitários e de muito bom grado a Lorna do Aventuras na Magic City me escreveu este email que achei de bom tom e educação publicar, ao invés de repetir as informações sem dar nenhum crédito:
Oi Renato,
O que eu aprendi em uma palestra de saúde pública foi que o ato de embalsamar os mortos aqui nos EUA veio na época da Guerra civil de uma crença de que o morto poderia espalhar doenças, bactérias. Hoje em dia, sabe-se que isso é falso, mas acabou virando algo cultural, principalmente depois da morte de Linconl. Na verdade, na maioria dos estados, não é obrigatório embalsamar os mortos. Dizem que além de cultural, o ato seria o desejo dos familiares de preservar os entes queridos. Além disto, tem o fator $$$ relacionada as casas funerárias.
O que eu acho interessante é que do ponto de vista religioso, especialmente para os protestantes (em teoria, a maioria aqui), o corpo não pode ser violado depois da morte, pois precisaremos dele. Por isso, as casas funerárias dizem que o embalsamamento seriam uma espécie de piercing já que na verdade, eles "só" fazem drenar o sangue e outros líquidos internos e no lugar colocam outras substâncias para preservar (dizem por 100 anos!) o corpo. Alguns religiosos dizem achar errado preservar os corpos que Deus tirou a vida.
Outra discussão é que antes, nos EUA, a família trazia o morto para casa, dava banho, arrumava e colocava no quarto mais frio para o velório que acontecia em casa. Hoje em dia, quando a pessoa morre no hospital, a funerária é contactada e toma conta de tudo (eu não sei quando a morte ocorre fora do hospital). Embora algumas pessoas critiquem o distanciamento do processo de greif, outras tantas dizem que esse distanciamento necessário devido ao tempo para preparar o corpo e o adiamento do velório (aqui demora pelo menos 4 dias) seriam benéficos para os familiares. Isto porque daria tempo para processar a perda e se despedir do morto. Eu nunca fui em velório, mas ouvi de amigas que o velório nos EUA é muito mais intenso (no bom sentido), pois as pessoas têm tempo de preparar homenagens e isso aproximaria os familiares.
In conclusion, a obrigatoriedade do embalsamamento só acontece em poucos estados nos EUA, mas virou algo cultural, além de lucrativo para as funerárias.
Ps: talvez você já tenha lido esse artigo

            Na quarta-feira, eu fui limpar a casa da Loretta para a recepção no sábado. Deu uma tristeza enorme ver as coisas dela, mas sabe que foi muito bom pra mim. Mais uma lição que eu aprendi (eu sabia, mas vi com meus próprios olhos): Parar de dar importância por coisas (materiais) do dia a dia, ou pagar muito por qualquer coisa que seja. A gente não leva nada li-te-ral-men-te! E o que sobrou, a família pegou ou vai vender, inclusive a casa.

            O velório foi muito bem elaborado. Cada pessoa que vinha, se aproximava do caixão e deixava algo dentro dele como um presente para ela levar consigo. A irmã deixou um quadro com uma poesia que havia feito pra ela muitos anos atrás. O bisnetinho deixou uma pedra pintada que ele havia dado para ela ano passado e que eu encontrei na casa e entreguei pra ele. Um dos netos, sobrinhos da Louise deixou um bracelete e mais alguns objetos foram deixados por outras pessoas. De lá o corpo seguiu, em procissão de carros para a igreja. O caixão foi colocado dentro da igreja onde foi feito um discurso e uma oração pelo Padre Católico. A cada frase que ele dizia um coral repetia uma parte, que eu não entendi NADA! Nem o pai nosso eu acompanhei, porque não sei as palavras em inglês. Fiquei imaginando as pessoas que olhavam pra mim enquanto eles recitavam o Pai Nosso, devem ter achado que eu era ateu pois da minha boca, não saiu palavra alguma. De lá o caixão foi para o cemitério e foi colocado em uma sala com cadeiras onde o Padre novamente apareceu e deu outro discurso. Depois o caixão foi colocado na terra (embora houvesse a possibilidade) mas colocado em um mini prédio ao lado do marido dela que faleceu em 2002. E de lá fomos todos para a recepção na casa da Loretta. Detalhe, aqui as pessoas se vestem, na maioria, de preto mesmo!


Foto de Loretta e Sam no dia do casamento e
quadro com poema que Jimmy escreveu
para ela.

Poema que Jimmy escreveu para Loretta
anos antes.



Tudo foi ela quem escolheu.

Em uma sala no cemiterio onde o Padre apareceu novamente.

Jimmy e Robert em frente ao prédio onde o caixão seria colocado.

            Na recepção, muita comida. Aproximadamente 50 pessoas compareceram, alguns trouxeram ainda outros pratos que Loretta gostava, como sua amiga Mary, que trouxe um presunto e um bolo de blueberries. A atmosfera parecia de festa. Ninguém chorou em momento algum. Depois de aproximadamente duas horas, todos haviam comido. Parentes, amigos e até vizinhos e maioria deles se foi. Somente a família ficou, aproximadamente entre 15-20 pessoas. Todos então pegaram os álbums de fotografia (mais de 30) e começaram a olhar as fotos dela e da família. Interessantemente, os poucos amigos que ficaram não olhavam os álbums. Neste momento, eu achei que as pessoas iriam começar a chorar. Que nada, começaram a fazer piada da cara de uns e outros nas fotografias. E olhavam e lembravam com carinho das fotos da Loretta. Muitos netos e outros parentes pediram algumas das fotos para levar como lembrança.


Uma das mesas de comida.

No final, so a família ficou.

            No final quando todos haviam ido embora, já tínhamos tirado o lixo e eu entrei para pegar a minha carteira na mesa da cozinha, flagrei o irmão do Robert, Jimmy em pé, no meio da sala, olhando um por um todos os objetos, o sofá, os quadros, as mesas, os porta-retratos, as janelas e as cortinas, como que se despedindo de cada um deles, de todas as memórias que tinha daquele cômodo em particular onde todos passaram muitos bons momentos durante muitos anos com ela (A Loretta e o marido compraram a casa na planta e viveram nela por 35 anos).

            A Loretta teve uma homenagem muito bonita. Segundo a filha, ela que escolheu tudo, 15 anos atrás, até mesmo a cor do caixão (verde) e das flores do velório (amarelo, sua cor predileta). Um cartão com lindas palavras foi dado a cada pessoa que compareceu como homenagem e lembrança. Um pequeno recorte foi publicado no jornal local também homenageando Loretta. O Padre disse (e nessa hora eu não aguentei) que ela o chamou 1 dias antes de morrer e pediu a absolvição e ele deu (ela sabia? Acho que sim...). A recepção dada em sua casa (que aqui é dito que é uma recepção para "celebrar a vida dela") foi alegre como ela costumava ser em todos os momentos. Acho que foi do jeito que ela queria.

            O avô do Robert, Sam Polverino, foi o primeiro namorado da Loretta e com ele, ela ficou casada por 61 anos...Nunca mais se casou nem teve outro homem na vida. Não é bonito isso? 


juntos novamente...


R.I.P Loretta, sentirei muito a sua falta.



* Todas as fotos foram publicadas com autorização da família

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